Os “nem-nem” e os “cangurus”

Escrever sobre os "Cangurus" me remeteu à Austrália, onde fotografei essa bela formação rochosa à beira-mar.

Escrever sobre os “Cangurus” me remeteu à Austrália, onde fotografei essa bela formação rochosa à beira-mar.

A recente Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE revela que quase dez milhões de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos nem estudam nem trabalham. Boa parte nem procura emprego, por falta de qualificação. E eu acrescentaria mais um “nem”, na medida em que muitos sequer colaboram com as tarefas da casa: são os “nem-nem-nem-nem”.

Isso não acontece só no Brasil. Como mostra o relatório Tendências Mundiais de Emprego, da Organização Mundial do Trabalho (2014), o índice de desemprego juvenil continua aumentando e é mais do que o dobro da taxa geral. Uma parcela desses jovens conta com uma estrutura familiar que os acolhe, mas muitos acumulam fatores de risco para a criminalidade (sem vínculos familiares significativos, sem projeto de vida e sem perspectiva de futuro). Entre as jovens das classes sociais menos favorecidas, muitas que engravidaram na adolescência saíram da escola e não conseguem ou nem procuram trabalhar.

Escolas de baixa qualidade, insuficiência de cursos profissionalizantes, deficiência de infraestrutura (por exemplo, oferta de creches) para que as jovens mães conseguir completar seus estudos e trabalhar, famílias que pouco estimulam o desenvolvimento da responsabilidade e da participação nas tarefas da casa, baixa tolerância à frustração e pouco desenvolvimento do espírito empreendedor por parte dos próprios jovens são alguns dos fatores que contribuem para o aumento dos “nem-nem”.

Por outro lado, também cresce, em diversos países, o contingente da “geração canguru”, adultos entre 25 e 34 anos que não saem da casa (da “bolsa”) dos pais. Muitos lá permanecem para investir em formação profissional, com a esperança de alcançar melhor qualificação no mercado de trabalho. Há os que já ocupam cargos bem remunerados mas não querem perder as “mordomias” de um padrão de vida mais confortável que os pais concordam em continuar proporcionando, permitindo, inclusive que namoradas e namorados durmam juntos, desfrutando de uma vida de casal sem colaborar com as despesas e as tarefas domésticas, e sem assumir os compromissos necessários para se sustentar com recursos próprios.

Há algumas décadas, morar sozinho ou com amigos era visto como sinal de independência. Muitos jovens se sentiam orgulhosos de batalhar para conquistar essa autonomia, mesmo vivendo com menos conforto e muito aperto financeiro. Muitas mudanças nas relações familiares aconteceram desde então: um grande contingente de pais e jovens passaram a pensar que viver na mesma casa é apenas mais um tipo de arranjo familiar.

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