Arquivo mensal: novembro 2015

Desperdício de oportunidades

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A pessoa empreendedora fica atenta às oportunidades, faz acontecer e desabrocha suas potencialidades (Fotografei em Helsinque).

Uma empresária do ramo de alimentação comentou, perplexa: “Ultimamente, tenho encontrado muitas dificuldades para contratar pessoas. Apesar da alta taxa de desemprego no país, muitos desperdiçam a oportunidade de manter seus empregos. Fazem apenas o mínimo necessário, e há os mais atrevidos que simplesmente dizem que não vão fazer algumas das tarefas inerentes ao cargo. Dão a impressão de que não querem melhorar seu desempenho, apesar do treinamento que oferecemos”.

Há tempos, trabalhei como voluntária em um projeto social de preparação de jovens para o primeiro emprego. Alguns aproveitaram muito bem a oportunidade, tornaram-se mais responsáveis e comunicativos e conseguiram se colocar no mercado de trabalho. Outros foram dispensados do estágio oferecido por empresas parceiras do projeto porque chegavam atrasados ou faltavam sem justificativa, sentiam-se desmotivados para cumprir as tarefas propostas ou achavam que ser “esperto” era “tapear” e “fazer corpo mole” no trabalho.

Nem sempre o que falta é oportunidade. O que muitas vezes falta é perceber onde elas estão e aproveitá-las com garra, como parte de um caminho maior de desenvolvimento de nossas habilidades e competências. É caprichar no diferencial.

A capacidade empreendedora pode ser desenvolvida no decorrer da vida. As principais características da pessoa empreendedora são:

  • Transformar obstáculos em caminhos
  • Tolerar frustrações sem se deixar abater pelo desânimo
  • Perceber oportunidades e fazer acontecer
  • Fazer um planejamento eficiente e agir para alcançar seus objetivos
  • Considerar os erros como fonte de aprendizagem
  • Acreditar na possibilidade de construir o futuro
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Prisão de segurança máxima

O medo da liberdade limita nosso espaço vital e nos impede de trilhar muitos caminhos. (Fotografei em Inhotim, MG)

O medo da liberdade limita nosso espaço vital e nos impede de trilhar muitos caminhos. (Fotografei em Inhotim, MG)

A personagem Pari, do livro O silêncio das montanhas” de Khaled Hosseini, cuidou da mãe doente e, tempos depois, passou a cuidar do pai que também adoeceu gravemente. Para isso, renunciou a entrar na universidade e recusou um pedido de casamento. A perspectiva da morte iminente do pai a deixa desnorteada. Como será sua vida, cuidando somente de si mesma? Diz: “Tenho medo de ser livre, apesar do meu grande desejo”. Com relação ao homem pelo qual se sentia atraída, confessa: “Entrei em pânico, enfim, e corri de volta para os recantos, as fendas e as reentrâncias da vida em minha casa”.

A liberdade para escolher como viver assusta muitas pessoas, que acabam cortando as próprias asas, o que impede voos mais ousados. Diante das escolhas possíveis, aciona o comando interno (“Não posso fazer isso”; “O que os outros vão pensar”?) que produz inúmeros argumentos para justificar infindáveis limitações.

Duas mulheres, na faixa dos 60 anos, conversavam sobre uma amiga em comum: “Tem tempo disponível e dinheiro suficiente para viajar pelo mundo, fazer o que quiser, e praticamente não sai de casa. Ah, se eu tivesse a metade do que ela tem”…

Há quem crie uma ilusão de segurança confinando-se em relacionamentos insatisfatórios, em empregos  frustrantes e em rotinas extenuantes. Alguns até acreditam que não há outras escolhas possíveis, a não ser permanecer nessa prisão que tolhe até a percepção de maiores perspectivas. “Essa é a minha vida, tenho que me conformar com isso”; “Agora é tarde demais para fazer grandes mudanças”; ” A gente vai levando, né”? – são frases que revelam o espaço apertado dessa prisão de segurança máxima construída no decorrer do tempo.

Para essas pessoas, a liberdade de optar por alternativas possíveis e correr o risco de mudar de rota traz uma angústia tão avassaladora que é preferível o desconforto resignado de acreditar que não há saída.

Mas, ocasionalmente, o desejo e a tentação de mudar rompe a barreira do medo ou, então, a própria vida nos dá uma chacoalhada e nos tira da zona de (des)conforto. E, aí, descobrimos que sair da prisão de segurança máxima nos dá mais oportunidades de desfrutar a alegria de viver, apesar dos riscos e das incertezas desse mundo.