Arquivo mensal: janeiro 2016

Resiliência para enfrentar os riscos globais

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Fotografei essa geleira na Patagônia Argentina há pouco mais de uma década. Como estará agora?

É imperativo construir resiliência em indivíduos, comunidades, organizações e países para enfrentar os riscos globais. E isso só é possível por meio da colaboração entre os mais diversos atores (governantes, cientistas, empresários, profissionais de várias áreas e sociedade civil) para que as ações pertinentes possam ser feitas. Essa é a mensagem central do Relatório sobre Riscos Globais 2016 do Fórum Econômico Mundial, que li com muito interesse.

Os principais riscos apontados referem-se às mudanças climáticas e seu impacto na segurança alimentar, na produção agrícola e no acesso à água, não só nos países menos desenvolvidos como também nos que exportam alimentos.

Outros desafios apontados: o fluxo crescente de refugiados, os índices persistentes de desemprego, a rápida propagação de doenças infecciosas por diversos países, a quebra da confiança nos governantes em função da falta de transparência que favorece a corrupção, os ataques terroristas e os ataques cibernéticos. Tudo isso provoca desestabilização social e, sem sociedades estáveis, é difícil construir resiliência.

Por outro lado, os rápidos avanços da tecnologia e da informática continuam transformando a maneira de viver, de se relacionar e fazer negócios: é a Quarta Revolução Industrial, que apresenta riscos e oportunidades. Dentro em breve, robôs serão capazes de realizar um número crescente de tarefas ainda desempenhadas por trabalhadores humanos e a Internet das Coisas também resultará em uma profunda reestruturação do sistema de trabalho. Também o sistema educacional precisará de amplas revisões, privilegiando cada vez mais a capacidade de aprender a aprender, de trabalhar em equipes de colaboração e de desenvolver a inteligência de relacionamentos.

O acesso à tecnologia ampliou a manifestação da insatisfação não somente por meio de protestos online mas também como instrumento para reunir um grande número de pessoas em ações presenciais. Quando os governantes se dispõem a ouvir atentamente as mensagens da população, conseguem abrir espaço de participação para efetuar as ações necessárias, adotando posturas de transparência e de combate eficaz à corrupção, entre outras práticas.

A grande questão é ver como a comunidade global, a partir da percepção dos riscos, aproveitará a oportunidade de criar ambientes de colaboração para gerar recursos para prevenir ou mitigar os efeitos adversos de eventos catastróficos em um mundo complexo e em rápida mutação. Todos nós precisamos nos envolver nesse trabalho de construção coletiva!

O Relatório pode ser acessado em: http://www3.weforum.org/docs/GRR/WEF_GRR16.pdf

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Escolhas pouco convencionais

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Escolhas ousadas me revelaram novos horizontes. (Fotografei em Cayman).

Em 2016, completo 45 anos de trabalho como psicóloga. Meu caminho tem sido marcado por escolhas pouco convencionais, desde o momento em que decidi estudar Psicologia.

Fiz essa escolha quando, com 14 anos, li um livro sobre psicologia da adolescência. A profissão acabava de ser regulamentada no Brasil. Meus pais acharam essa escolha bem estranha, gostariam que eu estudasse Medicina.

Assim que terminei a graduação na PUC-RIO, comecei a dar aulas, atender em consultório e cursar o Mestrado em Psicologia, também na PUC-RIO. A grande maioria dos projetos de tese era sobre psicanálise. Escolhi pesquisar sobre psicologia da gravidez e abordar a importância da prevenção. Não havia bibliografia disponível no Brasil e nem professores para me orientar nesse tema. Como surgiu a oportunidade de passar alguns meses nos Estados Unidos, passei dias inteiros na biblioteca da Universidade de Harvard. Voltei para o Brasil com uma mala cheia de livros e de fotocópias de artigos em revistas especializadas. Ainda não havia internet…

Comecei a trabalhar com grupos de gestantes em consultório e em hospitais públicos, e a fazer grupos de reflexão sobre a tarefa assistencial com profissionais de saúde, com uma abordagem pioneira.

Psicologia da gravidez foi meu primeiro livro, voltado para estudantes e profissionais da área da saúde, bem acolhido até hoje, em suas várias atualizações. Fico feliz por saber que esse trabalho inspirou muita gente a atuar com as “famílias grávidas”!

Como gosto de abrir caminhos e de aprender coisas novas, continuei ousando no trabalho com casais e famílias, e publiquei muitos livros sobre relacionamento familiar e desenvolvimento pessoal. E, então, por volta dos 40 anos, veio o desejo de escrever ficção para adolescentes, criando histórias que abordavam diferentes vertentes da construção da paz.

A transição da escrita de não ficção para a ficção não foi fácil, mas se revelou muito prazerosa. Os sambas dos corações partidos é o sexto livro dessa série, e, com isso atingi a marca de 40 livros publicados. Pretendo escrever muitos outros!

A transição para a ficção (que não me impediu de continuar escrevendo livros de não-ficção) ocorreu no mesmo período em que ampliei meu trabalho como palestrante e, para isso, me aprofundei no campo das artes, com cursos de teatro e continuidade do estudo de música. Essa liberdade criativa inspirou outras escolhas pouco convencionais: compor músicas para minhas palestras e lançar o primeiro livro-show do mercado editorial brasileiro (Nas trilhas da vida, em parceria com o músico Itiberê Zwarg).

Escolhas ousadas e pouco convencionais em outras áreas da vida também envolveram riscos, mas sempre me inspiraram muito entusiasmo e força para enfrentar os desafios de sair das “zonas de conforto” e descortinar novos horizontes!

 

 

Caminhando

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É preciso cultivar a esperança de encontrar caminhos melhores, mesmo quando passamos por trilhas desoladoras. (Fotografei na Patagônia chilena)

Na revisão de final de ano,

Muitos decretam saldo negativo.

Dificuldades que o país e o mundo atravessam

Sem perspectivas de melhoras em futuro próximo

Aumentam a extensão dos problemas

Trazem desalento, desânimo, desesperança.

Mas basta olhar o passado, o nosso e o da História,

Para constatar que já passamos por épocas piores

E descobrimos outras trilhas, novos recursos.

Força para encarar os problemas

Criatividade para gerar soluções

Fé para encontrar a ajuda necessária

E perceber que os obstáculos que encontramos na caminhada

Fazem parte da evolução, a nossa e a da Humanidade.