Arquivo mensal: dezembro 2018

Desavenças nas festas de fim de ano

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Pontes bem construídas permanecem intactas por muito tempo e resistem às intempéries (Fotografei no Japão).

 

“Não consigo perdoar minha mãe por ter votado naquele candidato! Tentei de tudo para ela mudar de ideia! Argumentei tanto, tentando mostrar por A+B que ela estava errada, mas não adiantou! Resultado: estou sem falar com ela e com outras pessoas da família que também votaram no mesmo cara! E agora vem a festa de Natal”…

Conheço pessoas que se aprisionaram nessa dificuldade de reconhecer e valorizar tudo o que foi construído em muitos anos de convívio com pessoas da família e com amigos, por conta de discordâncias e desavenças. A polarização que presenciamos nas redes sociais nas últimas eleições despertou camadas profundas de ódio, decepção e revolta. “É melhor eu me fechar entre os meus”: deletar quem pensa diferente não só das redes sociais como do convívio presencial.

Com os ânimos acirrados, muitos extrapolam em xingamentos pesados e comentários grosseiros que atacam pessoas e não apenas ideias e opiniões. Com isso, dinamitam pontes, fecham caminhos com barricadas e abrem-se abismos de intolerância e intransigência. Fixados nas respectivas posições, não há mais escuta possível. É declaração de guerra. Nesse destempero, surge o pior de nós mesmos. Mas ninguém é totalmente nem o melhor nem o pior de si mesmo. Somos luz e sombra.

Conviver com a diversidade de opiniões amplia nossa percepção dos vários modos de ver a mesma situação. Exercitar a curiosidade para entender o que leva outras pessoas a pensar tão diferente de nós contribui para encontrar pontos em comum nas divergências. Ou, pelo menos, possibilita um convívio respeitoso com as respectivas diferenças. Isolar-se nas próprias crenças, criando a ilusão de que estamos absolutamente certos limita nossa percepção de que a verdade tem várias faces.

Ao cortar vínculos afetivos com pessoas da família, amigos e amores por conta de divergências político-partidárias reduzimos a complexidade e a riqueza de milhares de interações e momentos compartilhados a um rótulo carregado de menosprezo: “nazista”, “comunista” e que tais. Quando aprisionamos as pessoas a um rótulo empobrecemos nossa percepção. Somos multifacetados.

Os conflitos surgem das divergências de opiniões, valores, visões de mundo. Porém, diferença não significa incompatibilidade. Podemos transformar conflitos que ameaçam tornar-se intratáveis quando mostramos disposição para ouvir o que os outros pensam e sentem e quando conseguimos expressar o que pensamos e sentimos sem ferir, humilhar ou menosprezar os outros.

Diferenças não nos impedem de circular pelas pontes e restaurá-las quando é preciso, em vez de continuar cavando trincheiras que aumentam a distância entre nós.

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TEDxRio Educação: nos bastidores e no palco

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A emoção de participar como palestrante da TEDxRIO EDUCAÇÃO em dezembro de 2018.

Com cerca de 1300 palestras no currículo para públicos de trinta até cinco mil pessoas, tive uma experiência única ao ser palestrante no TEDxRio EDUCAÇÃO. E tendo assistido a inúmeras palestras TED, nunca tinha tido a oportunidade de acompanhar um evento ao vivo. É impactante!

Há tempos, li o livro TED Talks – o guia oficial do TED para falar em público, de Chris Anderson. Aproveitei muitas dicas para aprimorar minhas palestras. Mas o trabalho de preparação de palestrantes, desde sugestões para o texto até a postura no palco, é sensacional! Foram vários encontros com Marco Brandão, Danielle Fazzi e Joice Niskier para construir uma palestra cativante em 15 minutos, dentro dos padrões propostos. E duas semanas de muitos ensaios para memorizar o texto para que saísse do modo mais natural possível.

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A equipe responsável pelo evento.

No dia do evento, chegamos mais cedo para nos familiarizarmos com o palco, vendo o tapete vermelho do qual não poderíamos sair por conta da iluminação e das câmeras, olhando o monitor com o que estava projetado na tela e o temível cronômetro marcando o tempo restante.

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O palco da TEDxRio EDUCAÇÃO com o tapete vermelho e o cronômetro.

O encadeamento dos temas apresentados pelos 14 palestrantes, entremeados com três apresentações musicais compuseram um espetáculo inesquecível! O que anotei de algumas palestras:

  • O que importa é saber o que importa (Aziz Camali, “Empreendedorismo em um futuro disruptivo”)
  • Escola é escolha. Para educar é preciso educar-se. É na Educação Infantil que começamos a construir pessoas para serem solidárias, ativas, respeitadoras, competentes. (Márcia Righetti , “Protagonismo na criança”).
  • Nosso estilo predatório está crescendo em progressão geométrica. As grandes cidades não foram construídas respeitando os limites da natureza. O meio ambiente é o nosso ambiente (Nina Braga, “O meio ambiente é o meu ambiente”?).
  • A inteligência artificial já está mais presente no dia a dia do que imaginamos. O smartphone tem um poder computacional dez vezes superior à máquina que levou o homem à Lua. Daqui a 20 anos muitas crianças de hoje trabalharão em profissões que ainda não existem. E ensinarão às máquinas – terão ética e responsabilidade para ensinar coisas boas? (Roberto Celestino, “ AI- quebrando o tabu”).
  • Não gostar de estudar é diferente de não gostar de aprender. Nem sempre gostar de aprender é despertado pelo ensino formal. (Marcília Neves – “Cultivando nossos frutos”).
  • Crianças gravemente afetadas pela violência na família e em comunidades apresentam grandes dificuldades de aprendizagem e precisam de uma metodologia especial para refazer circuitos neuronais, como a Pedagogia Uerê-Mello. (Yvonne Bezerra de Mello, “Aprendendo a aprender”).
  • O Brasil está abaixo da maioria dos países em conhecimento básico. E estamos no início da Quarta Revolução Industrial, com profundas mudanças na maneira de trabalhar e de viver. Nossa diversidade é a nossa maior força, mas é preciso investir em qualidade e na construção de uma sociedade justa e inclusiva. (Ricardo Henriques, “A educação como motor de transformação social”).