Arquivo mensal: abril 2019

Você acredita em “palmadas educativas”?

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Se professores, babás e outras pessoas que cuidam de crianças desenvolvem recursos para discipliná-las e estimulá-las a fazer o que precisa ser feito sem bater ou gritar descontroladamente, por que os pais não poderiam fazer o mesmo?

Na transmissão ao vivo que dei sobre o tema “Bater para educar?!” encontrei comentários do tipo: “Eu acredito na palmada”; “Minha mãe foi muito carrasca comigo, apanhei bastante e hoje não repito tais métodos extremos com meus filhos”; “Apanhei, porque era a ferramenta que os pais tinham na época”; “Meu pai me espancava e isso me fez muito mal”; “eu apanhei muito, mas me sinto feliz como eu sou”.

Excetuando casos extremos de violência intrafamiliar, vejo pessoas que se desenvolveram bem, apesar de terem apanhado até com “varadas de goiabeira”. Isso porque, certamente, havia também momentos de carinho, alegria, compreensão e amor nessas relações familiares. O que não quer dizer que foram esses métodos que garantiram a “boa criação”.

No outro extremo, há pais com muitas dificuldades de colocar os limites devidos, como nesse comentário: “Hoje o que vejo são pais com medo dos filhos e crianças sem limites”

Em contraposição, outros comentários do tipo: “Eu acredito no diálogo”; “Tenho tentado usar a disciplina positiva na escola”; “Nunca bati e meu filho nunca me deu trabalho”;

Com a disseminação de informações vindas da psicologia, aumentaram os recursos disponíveis para colocar limites de forma eficiente sem recorrer a castigos físicos. Por conta disso, considera-se que bater, gritar e se descontrolar transmitem às crianças que os adultos estão inseguros, sem recursos eficientes para lidar com eles.

Os limites precisam ser colocados com serenidade, firmeza, persistência e coerência. E os “combinados” são estratégias que estimulam responsabilidade e autocontrole.

Claro que haverão muitos momentos difíceis: “O pior é quando a criança faz birra, dá chiliques. Dá vontade de sair correndo!”. O problema é quando os adultos se descontrolam e dão chiliques também. É essencial fazer um esforço para se acalmar para, em seguida, tentar acalmar a criança, por exemplo, transmitindo que compreende o que ela está sentindo: “Eu sei que você está muito zangada porque não está podendo fazer o que quer. Mas vamos descobrir o que você vai poder fazer”.

Convém esclarecer que a criança pequena vive na “lei do desejo”, que surge com muita força. Quando frustrada, fica enraivecida. Precisa aprender a esperar ou a escolher o que é possível. Mas, antes de construir esse “freio interno” é preciso contar com o “freio externo” dos limites colocados com firmeza, carinho e compreensão.

Há muitos recursos que podem ser desenvolvidos para colocar limites com firmeza, consistência e serenidade, sem recorrer a palmadas ou a surras com “vara de goiabeira” como ainda ouço pessoas falarem! O relacionamento familiar construído com respeito, e não com medo, é o melhor caminho para educar os filhos.

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Empreendedora digital aos 70 anos

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Tenho enfrentado muitas dificuldades nesse novo caminho, mas estou encantada com as descobertas!

Quando não temos emprego, criamos trabalho! Somos empreendedores também quando estamos com carteira de trabalho assinada, quando nutrimos ideias criativas para realizar nossas tarefas sempre da melhor forma, quando somos proativos em vez de ficar esperando que outras pessoas nos digam o que precisa ser feito, quando buscamos novos conhecimentos para nos mantermos atualizados, e contribuindo para a eficácia do trabalho em equipe.

Porém, com os altos índices de desemprego e da perspectiva de drásticas reduções no mercado de trabalho com o avanço da inteligência artificial, mais do que nunca é necessário desenvolver o espírito empreendedor desde a infância. Para isso, é essencial nutrir a curiosidade, o interesse de descobrir novas possibilidades, o gosto pelo desafio e pela superação das dificuldades, a persistência para não desistir diante dos obstáculos que surgem. É essencial também olhar o erro como fonte de aprendizagem, lidar com a frustração de constatar que alguns projetos não deram certo e perceber que os problemas fazem parte do “pacote da vida”.

Em décadas de trabalho, abri e fechei ciclos de atividades para iniciar novos projetos. Tenho uma longa história como empreendedora. A começar pela escolha de estudar psicologia pouco depois da criação dessa profissão. No Mestrado, escolhi o tema Psicologia da gravidez, quando não havia muitos estudos a respeito, no Brasil. Nem tive quem me orientasse a tese tendo conhecimento sobre o assunto. As dificuldades de me inserir em equipes multidisciplinares, o trabalho voluntário em maternidades públicas, fazendo atendimentos em grupo de gestantes em condições precárias da sala de espera e da enfermaria de puérperas: tudo isso foi fonte de grande aprendizagem e de estímulo para continuar abrindo caminhos. O trabalho em consultório, com e sem parceria com obstetras, a oportunidade de ser contratada por uma maternidade privada para trabalhar com a equipe sobre qualidade de assistência emocional, implantar alojamento conjunto e atendimento às famílias de bebês internados em UTI Neonatal: novos desafios e mais aprendizagem.

Para equilibrar vida profissional e familiar, precisei fechar ciclos para iniciar novos projetos. Há tempos, deixei de ser professora universitária e psicóloga hospitalar para expandir o consultório como terapeuta de casais e de famílias e ampliar minha atuação como palestrante em todo o Brasil. Fui muito importante fazer um curso de Plano de Negócios juntamente com cursos livres de teatro para mesclar coragem e cautela e encarar essa mudança de rumo. Como estava com 50 anos, não foi fácil entrar no mercado de palestras com a grande maioria de homens entre 30 e 45 anos…

Como me diferenciar, apresentando conteúdo de qualidade com uma embalagem atraente e fora do comum? Aos 60 anos, ficava ainda mais difícil manter posição. Decidi, então, integrar outros conhecimentos. Como estudo piano há muito tempo, comecei a compor letras e músicas para minhas palestras. E, a essa altura, conheci meu amor da maturidade, que é músico e fez arranjos maravilhosos para minhas composições. Resultado: uma trilha sonora luxuosa para fazer palestras-show!

Enfrentar os inúmeros obstáculos do mercado editorial para conseguir publicar 41 livros tampouco foi um caminho fácil. Porém, é muito estimulante e gratificante constatar o alcance dos livros para compartilhar muito do que aprendi ao longo do tempo de estudos contínuos e da prática dos atendimentos.

E, então, há alguns anos, publiquei uma atualização de Psicologia da gravidez somente em formato digital. Por isso, precisei superar a resistência de entrar nas redes sociais, e cá estou. Comecei a trabalhar em uma época em que a Internet ainda não existia e, ao completar 70 anos, lancei o meu primeiro curso online – “A tecelagem do vínculo, da gestação aos dois anos”. Curiosamente, com o mesmo tema do primeiro livro! Grande desafio, enormes dificuldades para me entender com a plataforma que abriga os cursos (lancei outro, “Limites na educação- crianças, adolescentes e adultos precisam de limites”), mergulhando de cabeça no marketing digital. Nada tranquilo, para quem nasceu décadas antes dos “nativos digitais”!

Estou entusiasmada com as novas possibilidades: a interação intensa com as pessoas que fazem o curso, e que assistem minhas transmissões ao vivo. Então, é isso: continuo empreendedora, agregando a faceta “empreendedora digital” nessa nova década de vida. Nutrindo curiosidade, prazer de aprender, encarando dificuldades junto com o encantamento pelas descobertas.

Os primeiros passos em nossas vidas

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Medo e insegurança se mesclam com o entusiasmo de aprender a dar os primeiros passos.

Em uma transmissão ao vivo, houve comentários interessantes sobre o tema dos primeiros passos que experimentamos cada vez que entramos em um território novo que demanda aprendizagem e inclui um período inevitável de insegurança, tentativas frustradas e muitos erros.

Como a grande maioria das pessoas, não me lembro como dei os primeiros passos quando comecei a andar, pouco antes de completar um ano de idade. Porém, mesmo sem lembrar conscientemente, essa é uma experiência marcante na vida de todos nós. Passamos a ver o mundo em outras perspectivas, exploramos o espaço, ampliamos nossos horizontes, dando início ao processo de locomoção independente. No outro extremo da vida, há os que perdem essa possibilidade quando, em idade avançada, apresentam problemas de mobilidade a tal ponto que literalmente mal conseguem andar com os próprios pés. Torna-se necessária outra adaptação, no sentido de aceitar a perda da independência e a necessidade de receber assistência.

Observar bebês nesse processo de dar os primeiros passos, contando com o suporte e o encorajamento dos adultos, revela padrões diferenciados. Inevitavelmente, ao tentar se equilibrar nos dois pés a criancinha cairá muitas vezes: há as que sentam, choram e demoram a tentar de novo, com medo de novas quedas; há as que, a cada queda, se levantam e renovam sua disposição de aprimorar a nova competência. É emocionante constatar a alegria dos momentos em sentem que estão conquistando um novo espaço.

O processo de dar primeiros passos acontece muitas vezes na vida de todos nós: andar de bicicleta, aprender a ler e a escrever, aventurar-se no primeiro amor, iniciar nova etapa de estudos, o primeiro emprego, formar um relacionamento amoroso, ter filhos. Quando perguntei sobre primeiros passos marcantes na vida de quem estava assistindo a transmissão ao vivo sobre esse tema, alguns responderam: quando mudei de cidade, com o divórcio, com a viuvez, quando decidi fazer uma nova faculdade e mudar de carreira. Eu mesma comentei que, aos 70 anos, estou dando os primeiros passos como empreendedora digital, organizando meus cursos online.

Medo, insegurança e incerteza fazem parte desse processo, juntamente com o entusiasmo de aprender coisas novas e o gosto pelo desafio de abrir caminhos.

Porém, encontramos padrões diferentes quando pensamos nessa disposição de dar os primeiros passos. Há os que se assustam com as mudanças e evitam escolher caminhos diferentes dos habituais. Acomodam-se ao território conhecido, mesmo quando está insatisfatório. Outros são ousados e até impulsivos, mergulham de cabeça nas experiências novas e, com isso, pode faltar o planejamento adequado e a dose de cautela que evitam problemas e reduzem o risco do empreendimento.

É possível observar esses padrões em crianças e adolescentes. “Meu filho tem medo de coisas novas”, “acha que não vai conseguir e aí desiste ou fica paralisado”. São comentários que ouço com frequência nas consultorias. Costumo orientar para rever com a própria criança as situações em que aprendeu uma nova habilidade e superou o medo de não saber. “Lembre como foi difícil para você aprender a escrever” (ou ler, andar de velocípede, e outras tantas ocasiões que podem ser ilustradas com fotos ou vídeos da época). O importante é refletir que, diante de cada novo desafio, o medo de não conseguir poderá ser melhor enfrentado ao relembrar situações de conquistas passadas.