Arquivo da categoria: Metas de vida

Maratonas da vida

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É necessário um bom preparo e muita persistência para enfrentar as maratonas da vida (Fotografei em Copacabana).

Observei maratonistas encarando 42 km e tenho uma amiga maratonista. Nunca pensei em fazer isso, gosto de caminhar e nadar no mar, sem entrar em competições. Mas pensei sobre as maratonas que enfrentamos no decorrer da vida e sobre a preparação necessária.

Desde criança eu gostava de escrever. Na adolescência, decidi ser psicóloga e entrei na maratona do vestibular com muita dedicação. Mas foi a partir publicação do meu primeiro livro (Psicologia da gravidez, que foi minha tese de Mestrado) que desejei escrever outros. Gostei da experiência e, pouco a pouco, aumentei o tempo dedicado à escrita. Já publiquei mais de quarenta livros, e isso envolve, até hoje, enfrentar as maratonas do mercado editorial.

Minha amiga maratonista conta que, para alcançar o objetivo maior de correr 42 km é preciso fracionar o preparo em etapas e 5, 10, 15 km para, gradualmente aumentar a resistência física e emocional. A meta que parecia quase impossível de alcançar torna-se possível com planejamento e persistência para enfrentar obstáculos. Inclui renúncias a prazeres imediatos e capacidade de lidar com frustrações e decepções.

Quando converso com estudantes que leram meus livros paradidáticos, muitos me perguntam quanto tempo, em média, foi preciso para eu escrever aquele livro que leram em poucas horas. Eles se surpreendem quando respondo que, em média, preciso de um a dois anos para pesquisar sobre o tema, fazer um planejamento detalhado, reescrever o que não achei bom, fazer inúmeras revisões até entregar os originais. Em síntese, disciplina, persistência e paixão pela escrita.

Quando quem sonha em ser escritor me pergunta o que é preciso fazer para publicar um livro, respondo que é preciso gostar muito de ler para poder escrever e não desistir dos inúmeros obstáculos que surgem: editoras que demoram até dois anos para dizerem se querem publicar o livro (quando dão resposta), distribuição e divulgação insuficientes que resultam em decepção com a venda, originais recusados por diversas editoras.

Paralelamente à carreira de escritora, enfrento a maratona de trabalhar como palestrante. Para melhor me preparar, fiz alguns anos de cursos de teatro e de trabalho com a voz, além de aprender a construir apresentações visualmente atraentes e com conteúdo interessante  para vários públicos. Minha amiga maratonista me diz que para alcançar metas é preciso se esforçar, superar a preguiça e a acomodação, treinar constantemente, cuidar bem da alimentação e do sono. Mas o prazer de se sentir competente e superar limites anteriores compensa sacrifícios e frustrações.

Digo o mesmo sobre os trabalhos que faço nas maratonas da vida. E acrescento: é muito bom compartilhar o que aprendo!

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Renovação

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No ciclo da vida, precisamos nos renovar para desabrochar (Fotografei em Amsterdam).

As células de nosso organismo passam por ciclos de renovação, cujos períodos variam de acordo com a função que exercem nos diversos órgãos. No desenvolvimento pessoal, precisamos nos renovar para abrir caminhos de vida ou para expandir e atualizar os que queremos manter.

Conversando sobre esse tema com um grupo de amigos, um deles, com 30 anos de casado, comentou: “Meu casamento continua ótimo porque vivo me casando com a mesma mulher e ela comigo. Nem eu nem ela somos exatamente os mesmos de quando nos conhecemos. As experiências da vida, a chegada dos filhos, os problemas que enfrentamos, o amadurecimento, tudo contribui para nossas mudanças. Mas sempre escolhemos ficar um com o outro”.

Acompanhar o desenvolvimento de cada filho também nos renova. “Criei todos os filhos da mesma maneira” é um mito, porque com a chegada de cada um toda a rede de relacionamentos da família se modifica. Como trabalhei por alguns anos acompanhando famílias de bebês internados em UTI Neonatal, vi a importância da renovação da esperança, nos ciclos de melhora-piora das condições clínicas em situações de maior gravidade.

Uma participante comentou: “Trabalho há mais de 30 anos como professora universitária. Estou sempre me renovando nesse contato com os alunos, ensinando e aprendendo com eles. Com a avalanche de informações disponíveis, a função do professor precisa ser profundamente renovada: de transmissor de conhecimentos para consultor, orientador, que contribui para que os alunos utilizem ferramentas de pesquisa com espírito crítico para filtrar o que é relevante e integrar as diversas fontes de informação.

Na época em que vivemos, quem não renova e atualiza constantemente seus conhecimentos corre o risco de ficar fora do mercado de trabalho. É preciso inovar, renovar, ousar, empreender. Diversos psicoterapeutas que participaram da conversa comentaram sobre a renovação do olhar sobre acontecimentos presentes e passados, estimulada pelo processo terapêutico para “reescrever” histórias e descobrir novos significados.

Para mim, uma das palestras mais surpreendentes foi em um evento para 1200 pessoas entre 50 e 90 anos, participantes de projetos de qualidade de vida. Falei sobre mudança do olhar e de projetos de vida e convidei o público para dar depoimentos sobre renovação de projetos. Vários falaram sobre a oportunidade de desenvolver novas habilidades após a aposentadoria que resultaram em trabalhos completamente diferentes dos anteriores ou que abriram espaço de lazer criativo. Com isso, muitos saíram da depressão e encontraram um novo sentido na vida. Como disse uma participante: “Agora a farmácia tem prejuízo comigo! Depois que passei a frequentar esses grupos, nunca mais fiquei doente”.

Com o aumento da expectativa de vida, podemos viver várias vidas em uma só. No entanto, há pessoas que, por insegurança e por medo da mudança, não se renovam: cristalizam padrões de comportamento e de relacionamento que se repetem indefinidamente. Neles ficam aprisionadas e, com isso, tornam-se pessoas entediadas e entediantes. Pouco evoluem, sufocam a curiosidade que renova nossa busca por conhecimentos e até mesmo por aventuras. Vida é mudança e renovação!

Leonardo: curiosidade e paixão

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Protótipos de “máquinas voadoras” construídos a partir dos desenhos de Leonardo em seus cadernos (Fotografei na exposição que vi em Paris, 2013).

Gostei muito de ler a biografia de Leonardo da Vinci (1452-1519), considerado o gênio mais criativo da história, escrita por Walter Isaacson basicamente a partir de mais de 7000 páginas de seus cadernos cheios de rascunhos, anotações, desenhos e projetos. Alguns pontos que me chamaram a atenção:

  • Curiosidade insaciável e paixão para aprender- Leonardo gostava de saber “tudo o que há para se saber sobre o mundo” (técnicas de pintura, luz e sombra, estudos de anatomia, engenharia, ciências). Isso o motivou a mergulhar fundo em suas pesquisas.
  • Múltiplas competências – Leonardo atuou como produtor cultural, organizando apresentações teatrais com cenários surpreendentes (os “efeitos especiais” da época), em que anjos pareciam voar e Cristo ressuscitado subia para o céu; tocava lira, cantava e era um ótimo contador de histórias; projetou “máquinas voadoras”, armas de guerra e vários tipos de máquinas; em seus estudos de anatomia, desenhou com detalhes impressionantes o corpo humano (músculos, nervos, artérias e veias) a partir da dissecação de cadáveres; fez esculturas, pintou obras-primas com perfeição (Virgem dos rochedos, A última ceia, Mona Lisa).
  • Criatividade, inovação, ousadia – cientista autodidata, sem medo de errar, Leonardo não se se intimidava com projetos que não davam certo. Alguns foram abandonados, outros não puderam ser executados por falta de recursos. Era livre para voar em sua imaginação, aguçar seu senso de observação (como o voo das libélulas ou o funcionamento do coração de um porco), desenhar objetos que só puderam ser executados séculos depois, sempre buscando integrar ciência e arte.
  • Asas e raízes – com uma grande capacidade de comunicação, Leonardo conseguia convencer governantes e diversos patronos a financiar seus projetos, além de lhe oferecer moradias suficientemente amplas para trabalhar e abrigar assistentes e companheiros amorosos. Asas para imaginar e criar, raízes para equilibrar receitas e despesas, anotando minuciosamente em seus cadernos o que recebia e o que gastava pagando assistentes, comprando roupas para si mesmo e para seus amados, gastos com materiais para seus trabalhos. Além disso, escrevia listas minuciosas do que precisava ou queria fazer e aprender.

E, como se não bastassem tantas qualidades, era descrito como um homem carismático e gentil, extremamente belo e gracioso, com cabelos cacheados, corpo musculoso, elegante em suas roupas de cores fortes. Uau!

 

Estresse: o que é bom, o que é ruim

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Cientistas japoneses recomendam “banho de floresta” como terapia antiestresse. (Fotografei na Costa Rica).

No decorrer da vida, todos nós passamos por situações de estresse. Quando percebemos perigo ou ameaça, nosso corpo automaticamente se prepara para lutar ou fugir: os batimentos cardíacos se aceleram, há maior liberação de adrenalina e cortisol, mais sangue disponível para os músculos e para o cérebro. Isso é indispensável para nossa sobrevivência.

O “bom estresse” é o “friozinho na barriga” que ajuda a concentração para enfrentar uma apresentação em público, a prova para o vestibular ou a entrevista de seleção para um emprego. Em doses altas, pode prejudicar o desempenho e “dar um branco” que nos paralisa. Quando termina a situação estressante, o organismo volta ao estado normal.

O “estresse ruim” é o que se prolonga, mesmo quando o fator estressante não está mais presente. Isso acontece no estresse pós-traumático, em que o fato passado invade o presente e a pessoa revive o episódio traumático continuamente. O estresse crônico também se estabelece quando a situação estressante é contínua. Isso acontece em relacionamentos abusivos, infelizmente tão comuns nos casos de violência intrafamiliar.

O estresse ruim ou crônico prejudica a saúde: há pessoas que passam a ter insônia, baixa da imunologia, perturbações digestivas, dores de cabeça frequentes, dificuldades de concentração, irritabilidade, pressão alta, depressão, síndrome do pânico. Com a situação estressante prolongada, o corpo não consegue retornar ao estado de não-estresse. Os níveis de adrenalina e cortisol, por exemplo, continuam elevados.

No entanto, como o corpo se prepara para lutar ou fugir do perigo ou ameaça que percebemos, é possível trabalhar nossa mente para perceber algumas situações estressantes como desafios e não como ameaças. Quando conseguimos mudar nosso olhar, o medo transforma-se em motivação para desenvolver os recursos necessários para lidar com a situação.

Há casos em que é possível mudar de rumo fazendo outras escolhas como, por exemplo, abandonar um trabalho estressante ou reduzir a carga horária redimensionando o orçamento para viver com mais tranquilidade embora com menores rendimentos. Simplificar a vida, praticar a partilha das tarefas domésticas para evitar a sobrecarga, fazer uma revisão do cotidiano para melhor gerenciar o tempo para incluir a prática de atividades físicas, cuidar bem da qualidade do sono e da alimentação, criar o hábito de respirar fundo algumas vezes ao dia para aliviar a tensão, meditar e entrar em contato com a natureza, cultivar a alegria.

O depoimento de um motorista que entrevistei para meu livro “Construindo a felicidade” mostra como é possível evitar o estresse crônico: “Meu trabalho é cansativo, em média oito horas de estrada por dia, mas gosto de conversar com as pessoas que transporto de um lugar para outro. Além disso, procuro me reequilibrar apreciando a natureza: acordo bem cedo, pego a bicicleta até uma mata para ouvir o canto dos pássaros e contemplar as árvores. Aí volto, pego o carro e vou para a estrada com muita disposição”.

Humanos: burros e sábios

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O que esperar do atual cenário global? (Fotografei no Japão).

“Nunca se deve subestimar a burrice humana para fazer escolhas erradas. Assim como a violência, a burrice é uma força poderosa na História. Por outro lado, a sabedoria humana também é uma força poderosa na História” – esse comentário do historiador israelense Yuval Harari, autor de “Sapiens” e de “Homo Deus” me chamaram a atenção nos diálogos TED. Eu já havia lido os dois livros, que me deixaram muito inquieta. Essa conversa entre Harari e Chris Anderson também foi perturbadora.

A pergunta inicial foi: O que está acontecendo no planeta? Para onde vamos?

Harari responde que os humanos sempre precisam ter uma história na qual acreditar coletivamente. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que poderíamos viver em um mundo melhor mas, devido à enorme aceleração das mudanças, muitos elementos foram desmontados e ainda não temos uma história consistente para contar. Com isso, torna-se muito difícil entender em que mundo estamos vivendo ou prever como estará o planeta daqui a vinte ou trinta anos.

Ele cita dados surpreendentes: atualmente, morrem mais pessoas em consequência da obesidade do que de fome; é mais comum morrer de velhice do que de doenças infeccionas; há mais mortes por suicídio do que por assassinato. A divisão política entre esquerda e direita tornou-se menos significativa do que a divisão entre nacionalismo e globalismo.

Os grandes problemas tornaram-se globais e não podem ser resolvidos por países isolados. É preciso pensar novos modelos políticos, baseados em cooperação para construir regulações e soluções globais, como no caso do rápido desenvolvimento da inteligência artificial que provocará desemprego em massa e dos experimentos em engenharia genética. E também na questão do aquecimento global, que já exibe seus efeitos, como aponta Al Gore em seu novo filme “Uma verdade mais inconveniente”.

Harari prossegue dizendo que o que se ensina nas escolas hoje será totalmente irrelevante para o mercado de trabalho daqui a vinte ou trinta anos. A autoridade está progressivamente passando dos humanos para os algoritmos. O acúmulo de dados (“big data”) é tão fenomenal que muitas decisões importantes já estão sendo tomadas por algoritmos, que se tornaram mais eficientes na tomada de decisões.

Ora predomina a burrice, ora a sabedoria em nossas escolhas individuais e coletivas. Que vida construiremos nesse cenário de mudanças vertiginosas?

Para quem quiser se inquietar com uma hora de conversa sobre a impossibilidade de saber para onde vamos, siga o link:

https://www.ted.com/talks/yuval_noah_harari_nationalism_vs_globalism_the_new_political_divide?utm_campaign=tedspread–a&utm_medium=referral&utm_source=tedcomshare

Construindo a felicidade

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A capa do livro e algumas das 190 pessoas que entrevistei em todas as regiões do Brasil.

Aprendi muito para escrever esse livro. Pesquisei sobre felicidade e bem-estar em diferentes áreas do saber: tradições milenares, psicologia positiva, antropologia, neurociência, filosofia, economia. Além disso, no decorrer de dois anos, entrevistei 190 pessoas entre 12 e 96 anos, em diferentes cidades em todas as regiões do Brasil: estudantes, médicos, artesãs, advogados, cozinheiras, psicólogas, faxineiras, recepcionistas, proprietários de pousadas, lojas e restaurantes, professores, biólogos, donas-de-casa, músicos, vendedores, camelôs, agricultores, guias de turismo, técnicos ambientais, engenheiros, economistas, fazendeiros, doceiras, artistas plásticos, motoristas, servidores públicos, empresários. Entrelacei o conteúdo dos estudos pesquisados com os depoimentos das pessoas entrevistadas.

Estruturei as entrevistas em torno de algumas perguntas básicas:

  1. Há várias maneiras de se sentir feliz. O que é ser feliz para você?
  2. Como você constrói essa felicidade no seu dia a dia?
  3. Como contribui para que outras pessoas se sintam felizes?
  4. Na vida de todos nós há momentos e períodos difíceis e outros nos quais nos sentimos especialmente felizes. Fale sobre um período da sua vida ou um acontecimento em que você se sentiu muito feliz.

Algumas respostas para a primeira pergunta: “Proporcionar boas experiências para si e para outros”. “Libertar-se dos padrões impostos de beleza porque escravizar-se a eles constrói infelicidade”. “É ter paz, harmonia, fé em Deus”. “É construir algo coletivamente, que não seja somente para meu próprio benefício”.

Podemos aprender a ser mais felizes, mesmo em épocas difíceis da vida! Felicidade não é ausência de problemas. O estado consistente de felicidade serena pode ser mantido mesmo quando enfrentamos perdas e dificuldades. É uma habilidade que pode ser treinada por meio das escolhas conscientes que fazemos a cada dia, de nossas ações, da qualidade dos pensamentos que nutrimos e dos relacionamentos que cultivamos.

Não há uma única definição de felicidade e nem um só jeito de ser feliz. As pesquisas e as pessoas que entrevistei descrevem vários tipos de felicidade: buscar prazer e fazer o que gosta; envolver-se com o trabalho, criação de filhos, relacionamentos afetivos; encontrar na vida um propósito significativo no qual aplicamos nossas competências.

Construímos felicidade saboreando os bons momentos, observando a beleza, nutrindo a curiosidade e o encantamento pela vida, cultivando a empatia e o altruísmo.

Expressar gratidão, admiração e carinho contribui para incrementar a felicidade, assim como ações de gentileza, pensamento otimista, cuidar bem dos relacionamentos e cultivar a espiritualidade. Tudo isso é um remédio potente contra a depressão, a ansiedade e o isolamento.

Afinal, em todos os tempos e em todos os lugares do mundo, todos nós desejamos ser felizes!

A coragem como base da vulnerabilidade

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Quando confundimos vulnerabilidade com fragilidade deixamos ver ligações e raízes mais profundas que sustentam nossas forças (Fotografei no Jardim Botânico-RJ).

Vulnerabilidade não é sinônimo de fraqueza. É um risco emocional, quando a pessoa decide se expor, e encarar a incerteza dos resultados. Nesse sentido, é a medida mais precisa da coragem de se revelar ao mostrar um novo trabalho, divulgar ideias próprias. É a base da inovação, da criatividade e da mudança. Criar e inovar é fazer algo que não havia sido feito antes. E reconhecer a própria vulnerabilidade ajuda a ter flexibilidade para se ajustar às mudanças.

Essas ideias estão contidas na excelente palestra TED de Brené Brown, da Universidade de Houston, que há anos faz pesquisas sobre vulnerabilidade e vergonha.

Concordo com ela. O “friozinho na barriga” antes de uma palestra ou do lançamento de um livro é uma expressão da vulnerabilidade, que estava ligada à coragem e ao prazer de criar algo não convencional (como, por exemplo, usar minhas composições musicais nas palestras ou encenar um dos meus livros). Como isso será recebido pelo público? A vulnerabilidade se aliou ao desejo de ser mãe. Nas duas gestações, a força e a alegria de abrigar a vida em meu corpo e a dúvida de como eu seria como mãe de cada um deles.

Mas há outros aspectos da vulnerabilidade que não dependem da nossa escolha em se expor e se aventurar em novos territórios. Li uma matéria na revista da United Airlines entrevistando diversos profissionais sobre o tema. Para a terapeuta de casais Esther Perel, a vulnerabilidade, além de existir dentro de nós, existe também na tecnologia e na sociedade (como por exemplo, perseguição e ataques a pessoas de religiões, etnias ou orientação sexual não aceitas pela maioria de um país). Sempre há a possibilidade de sermos atacados física ou emocionalmente. Entre os casais, é comum um ou ambos se sentirem vulneráveis quando revelam aspectos de si mesmos que os envergonham ou que não apreciam. Mas é justamente esse o caminho para aprofundar o relacionamento.

O escritor Tavis Smiley enfatiza que a maioria das pessoas vê a vulnerabilidade no sentido pejorativo, como fraqueza e não como força. Muitos se defendem para não correr o risco de serem rejeitados mas, desse modo, fecham muitas portas na vida e nos relacionamentos.

O termo “famílias em situação de vulnerabilidade social” é entendido, inclusive por muitos profissionais que prestam assistência a essa população, como sinônimo de desestruturação, precariedade, desequilíbrio. A habitação pode ser precária, a renda familiar pode ser insuficiente para prover o mínimo necessário, os relacionamentos podem ser conflituosos mas é muito importante reconhecer os recursos que as pessoas e as famílias utilizam para lidar com a “vulnerabilidade social” e trabalhar para fortalecer e expandir esses recursos. Isso eu aprendi no trabalho voluntário que tenho feito há décadas em algumas ONGs.

Que a gente consiga abraçar nossa vulnerabilidade para dela extrair a criatividade e a ousadia de viver!

A palestra TED de Brené Brown: https://www.ted.com/talks/brene_brown_listening_to_shame