Arquivo da categoria: Metas de vida

Leonardo: curiosidade e paixão

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Protótipos de “máquinas voadoras” construídos a partir dos desenhos de Leonardo em seus cadernos (Fotografei na exposição que vi em Paris, 2013).

Gostei muito de ler a biografia de Leonardo da Vinci (1452-1519), considerado o gênio mais criativo da história, escrita por Walter Isaacson basicamente a partir de mais de 7000 páginas de seus cadernos cheios de rascunhos, anotações, desenhos e projetos. Alguns pontos que me chamaram a atenção:

  • Curiosidade insaciável e paixão para aprender- Leonardo gostava de saber “tudo o que há para se saber sobre o mundo” (técnicas de pintura, luz e sombra, estudos de anatomia, engenharia, ciências). Isso o motivou a mergulhar fundo em suas pesquisas.
  • Múltiplas competências – Leonardo atuou como produtor cultural, organizando apresentações teatrais com cenários surpreendentes (os “efeitos especiais” da época), em que anjos pareciam voar e Cristo ressuscitado subia para o céu; tocava lira, cantava e era um ótimo contador de histórias; projetou “máquinas voadoras”, armas de guerra e vários tipos de máquinas; em seus estudos de anatomia, desenhou com detalhes impressionantes o corpo humano (músculos, nervos, artérias e veias) a partir da dissecação de cadáveres; fez esculturas, pintou obras-primas com perfeição (Virgem dos rochedos, A última ceia, Mona Lisa).
  • Criatividade, inovação, ousadia – cientista autodidata, sem medo de errar, Leonardo não se se intimidava com projetos que não davam certo. Alguns foram abandonados, outros não puderam ser executados por falta de recursos. Era livre para voar em sua imaginação, aguçar seu senso de observação (como o voo das libélulas ou o funcionamento do coração de um porco), desenhar objetos que só puderam ser executados séculos depois, sempre buscando integrar ciência e arte.
  • Asas e raízes – com uma grande capacidade de comunicação, Leonardo conseguia convencer governantes e diversos patronos a financiar seus projetos, além de lhe oferecer moradias suficientemente amplas para trabalhar e abrigar assistentes e companheiros amorosos. Asas para imaginar e criar, raízes para equilibrar receitas e despesas, anotando minuciosamente em seus cadernos o que recebia e o que gastava pagando assistentes, comprando roupas para si mesmo e para seus amados, gastos com materiais para seus trabalhos. Além disso, escrevia listas minuciosas do que precisava ou queria fazer e aprender.

E, como se não bastassem tantas qualidades, era descrito como um homem carismático e gentil, extremamente belo e gracioso, com cabelos cacheados, corpo musculoso, elegante em suas roupas de cores fortes. Uau!

 

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Estresse: o que é bom, o que é ruim

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Cientistas japoneses recomendam “banho de floresta” como terapia antiestresse. (Fotografei na Costa Rica).

No decorrer da vida, todos nós passamos por situações de estresse. Quando percebemos perigo ou ameaça, nosso corpo automaticamente se prepara para lutar ou fugir: os batimentos cardíacos se aceleram, há maior liberação de adrenalina e cortisol, mais sangue disponível para os músculos e para o cérebro. Isso é indispensável para nossa sobrevivência.

O “bom estresse” é o “friozinho na barriga” que ajuda a concentração para enfrentar uma apresentação em público, a prova para o vestibular ou a entrevista de seleção para um emprego. Em doses altas, pode prejudicar o desempenho e “dar um branco” que nos paralisa. Quando termina a situação estressante, o organismo volta ao estado normal.

O “estresse ruim” é o que se prolonga, mesmo quando o fator estressante não está mais presente. Isso acontece no estresse pós-traumático, em que o fato passado invade o presente e a pessoa revive o episódio traumático continuamente. O estresse crônico também se estabelece quando a situação estressante é contínua. Isso acontece em relacionamentos abusivos, infelizmente tão comuns nos casos de violência intrafamiliar.

O estresse ruim ou crônico prejudica a saúde: há pessoas que passam a ter insônia, baixa da imunologia, perturbações digestivas, dores de cabeça frequentes, dificuldades de concentração, irritabilidade, pressão alta, depressão, síndrome do pânico. Com a situação estressante prolongada, o corpo não consegue retornar ao estado de não-estresse. Os níveis de adrenalina e cortisol, por exemplo, continuam elevados.

No entanto, como o corpo se prepara para lutar ou fugir do perigo ou ameaça que percebemos, é possível trabalhar nossa mente para perceber algumas situações estressantes como desafios e não como ameaças. Quando conseguimos mudar nosso olhar, o medo transforma-se em motivação para desenvolver os recursos necessários para lidar com a situação.

Há casos em que é possível mudar de rumo fazendo outras escolhas como, por exemplo, abandonar um trabalho estressante ou reduzir a carga horária redimensionando o orçamento para viver com mais tranquilidade embora com menores rendimentos. Simplificar a vida, praticar a partilha das tarefas domésticas para evitar a sobrecarga, fazer uma revisão do cotidiano para melhor gerenciar o tempo para incluir a prática de atividades físicas, cuidar bem da qualidade do sono e da alimentação, criar o hábito de respirar fundo algumas vezes ao dia para aliviar a tensão, meditar e entrar em contato com a natureza, cultivar a alegria.

O depoimento de um motorista que entrevistei para meu livro “Construindo a felicidade” mostra como é possível evitar o estresse crônico: “Meu trabalho é cansativo, em média oito horas de estrada por dia, mas gosto de conversar com as pessoas que transporto de um lugar para outro. Além disso, procuro me reequilibrar apreciando a natureza: acordo bem cedo, pego a bicicleta até uma mata para ouvir o canto dos pássaros e contemplar as árvores. Aí volto, pego o carro e vou para a estrada com muita disposição”.

Humanos: burros e sábios

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O que esperar do atual cenário global? (Fotografei no Japão).

“Nunca se deve subestimar a burrice humana para fazer escolhas erradas. Assim como a violência, a burrice é uma força poderosa na História. Por outro lado, a sabedoria humana também é uma força poderosa na História” – esse comentário do historiador israelense Yuval Harari, autor de “Sapiens” e de “Homo Deus” me chamaram a atenção nos diálogos TED. Eu já havia lido os dois livros, que me deixaram muito inquieta. Essa conversa entre Harari e Chris Anderson também foi perturbadora.

A pergunta inicial foi: O que está acontecendo no planeta? Para onde vamos?

Harari responde que os humanos sempre precisam ter uma história na qual acreditar coletivamente. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que poderíamos viver em um mundo melhor mas, devido à enorme aceleração das mudanças, muitos elementos foram desmontados e ainda não temos uma história consistente para contar. Com isso, torna-se muito difícil entender em que mundo estamos vivendo ou prever como estará o planeta daqui a vinte ou trinta anos.

Ele cita dados surpreendentes: atualmente, morrem mais pessoas em consequência da obesidade do que de fome; é mais comum morrer de velhice do que de doenças infeccionas; há mais mortes por suicídio do que por assassinato. A divisão política entre esquerda e direita tornou-se menos significativa do que a divisão entre nacionalismo e globalismo.

Os grandes problemas tornaram-se globais e não podem ser resolvidos por países isolados. É preciso pensar novos modelos políticos, baseados em cooperação para construir regulações e soluções globais, como no caso do rápido desenvolvimento da inteligência artificial que provocará desemprego em massa e dos experimentos em engenharia genética. E também na questão do aquecimento global, que já exibe seus efeitos, como aponta Al Gore em seu novo filme “Uma verdade mais inconveniente”.

Harari prossegue dizendo que o que se ensina nas escolas hoje será totalmente irrelevante para o mercado de trabalho daqui a vinte ou trinta anos. A autoridade está progressivamente passando dos humanos para os algoritmos. O acúmulo de dados (“big data”) é tão fenomenal que muitas decisões importantes já estão sendo tomadas por algoritmos, que se tornaram mais eficientes na tomada de decisões.

Ora predomina a burrice, ora a sabedoria em nossas escolhas individuais e coletivas. Que vida construiremos nesse cenário de mudanças vertiginosas?

Para quem quiser se inquietar com uma hora de conversa sobre a impossibilidade de saber para onde vamos, siga o link:

https://www.ted.com/talks/yuval_noah_harari_nationalism_vs_globalism_the_new_political_divide?utm_campaign=tedspread–a&utm_medium=referral&utm_source=tedcomshare

Construindo a felicidade

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A capa do livro e algumas das 190 pessoas que entrevistei em todas as regiões do Brasil.

Aprendi muito para escrever esse livro. Pesquisei sobre felicidade e bem-estar em diferentes áreas do saber: tradições milenares, psicologia positiva, antropologia, neurociência, filosofia, economia. Além disso, no decorrer de dois anos, entrevistei 190 pessoas entre 12 e 96 anos, em diferentes cidades em todas as regiões do Brasil: estudantes, médicos, artesãs, advogados, cozinheiras, psicólogas, faxineiras, recepcionistas, proprietários de pousadas, lojas e restaurantes, professores, biólogos, donas-de-casa, músicos, vendedores, camelôs, agricultores, guias de turismo, técnicos ambientais, engenheiros, economistas, fazendeiros, doceiras, artistas plásticos, motoristas, servidores públicos, empresários. Entrelacei o conteúdo dos estudos pesquisados com os depoimentos das pessoas entrevistadas.

Estruturei as entrevistas em torno de algumas perguntas básicas:

  1. Há várias maneiras de se sentir feliz. O que é ser feliz para você?
  2. Como você constrói essa felicidade no seu dia a dia?
  3. Como contribui para que outras pessoas se sintam felizes?
  4. Na vida de todos nós há momentos e períodos difíceis e outros nos quais nos sentimos especialmente felizes. Fale sobre um período da sua vida ou um acontecimento em que você se sentiu muito feliz.

Algumas respostas para a primeira pergunta: “Proporcionar boas experiências para si e para outros”. “Libertar-se dos padrões impostos de beleza porque escravizar-se a eles constrói infelicidade”. “É ter paz, harmonia, fé em Deus”. “É construir algo coletivamente, que não seja somente para meu próprio benefício”.

Podemos aprender a ser mais felizes, mesmo em épocas difíceis da vida! Felicidade não é ausência de problemas. O estado consistente de felicidade serena pode ser mantido mesmo quando enfrentamos perdas e dificuldades. É uma habilidade que pode ser treinada por meio das escolhas conscientes que fazemos a cada dia, de nossas ações, da qualidade dos pensamentos que nutrimos e dos relacionamentos que cultivamos.

Não há uma única definição de felicidade e nem um só jeito de ser feliz. As pesquisas e as pessoas que entrevistei descrevem vários tipos de felicidade: buscar prazer e fazer o que gosta; envolver-se com o trabalho, criação de filhos, relacionamentos afetivos; encontrar na vida um propósito significativo no qual aplicamos nossas competências.

Construímos felicidade saboreando os bons momentos, observando a beleza, nutrindo a curiosidade e o encantamento pela vida, cultivando a empatia e o altruísmo.

Expressar gratidão, admiração e carinho contribui para incrementar a felicidade, assim como ações de gentileza, pensamento otimista, cuidar bem dos relacionamentos e cultivar a espiritualidade. Tudo isso é um remédio potente contra a depressão, a ansiedade e o isolamento.

Afinal, em todos os tempos e em todos os lugares do mundo, todos nós desejamos ser felizes!

A coragem como base da vulnerabilidade

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Quando confundimos vulnerabilidade com fragilidade deixamos ver ligações e raízes mais profundas que sustentam nossas forças (Fotografei no Jardim Botânico-RJ).

Vulnerabilidade não é sinônimo de fraqueza. É um risco emocional, quando a pessoa decide se expor, e encarar a incerteza dos resultados. Nesse sentido, é a medida mais precisa da coragem de se revelar ao mostrar um novo trabalho, divulgar ideias próprias. É a base da inovação, da criatividade e da mudança. Criar e inovar é fazer algo que não havia sido feito antes. E reconhecer a própria vulnerabilidade ajuda a ter flexibilidade para se ajustar às mudanças.

Essas ideias estão contidas na excelente palestra TED de Brené Brown, da Universidade de Houston, que há anos faz pesquisas sobre vulnerabilidade e vergonha.

Concordo com ela. O “friozinho na barriga” antes de uma palestra ou do lançamento de um livro é uma expressão da vulnerabilidade, que estava ligada à coragem e ao prazer de criar algo não convencional (como, por exemplo, usar minhas composições musicais nas palestras ou encenar um dos meus livros). Como isso será recebido pelo público? A vulnerabilidade se aliou ao desejo de ser mãe. Nas duas gestações, a força e a alegria de abrigar a vida em meu corpo e a dúvida de como eu seria como mãe de cada um deles.

Mas há outros aspectos da vulnerabilidade que não dependem da nossa escolha em se expor e se aventurar em novos territórios. Li uma matéria na revista da United Airlines entrevistando diversos profissionais sobre o tema. Para a terapeuta de casais Esther Perel, a vulnerabilidade, além de existir dentro de nós, existe também na tecnologia e na sociedade (como por exemplo, perseguição e ataques a pessoas de religiões, etnias ou orientação sexual não aceitas pela maioria de um país). Sempre há a possibilidade de sermos atacados física ou emocionalmente. Entre os casais, é comum um ou ambos se sentirem vulneráveis quando revelam aspectos de si mesmos que os envergonham ou que não apreciam. Mas é justamente esse o caminho para aprofundar o relacionamento.

O escritor Tavis Smiley enfatiza que a maioria das pessoas vê a vulnerabilidade no sentido pejorativo, como fraqueza e não como força. Muitos se defendem para não correr o risco de serem rejeitados mas, desse modo, fecham muitas portas na vida e nos relacionamentos.

O termo “famílias em situação de vulnerabilidade social” é entendido, inclusive por muitos profissionais que prestam assistência a essa população, como sinônimo de desestruturação, precariedade, desequilíbrio. A habitação pode ser precária, a renda familiar pode ser insuficiente para prover o mínimo necessário, os relacionamentos podem ser conflituosos mas é muito importante reconhecer os recursos que as pessoas e as famílias utilizam para lidar com a “vulnerabilidade social” e trabalhar para fortalecer e expandir esses recursos. Isso eu aprendi no trabalho voluntário que tenho feito há décadas em algumas ONGs.

Que a gente consiga abraçar nossa vulnerabilidade para dela extrair a criatividade e a ousadia de viver!

A palestra TED de Brené Brown: https://www.ted.com/talks/brene_brown_listening_to_shame

Viagem ao Japão

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A convivência entre a tradição e a tecnologia moderna (Fotografei em Tóquio, Japão).

 

Um convite do meu filho concretizou uma das minhas metas de vida: fazer uma viagem ao Japão. Compartilho alguma das coisas que mais me chamaram a atenção:

  • Organização, limpeza, respeito pela natureza – No xintoísmo, Deus está em todas as coisas. Para não despertar o “deus da sujeira”, tudo precisa estar rigorosamente limpo. É proibido jogar lixo no chão, fumar na rua, comer ou beber dentro das lojas. A água das torneiras é potável, não é preciso comprar água mineral. Como nas grandes cidades há milhões de pessoas, as filas para os ônibus são bem organizadas, assim como a direção para subir e descer as escadas do metrô.
  • Respeito pelos outros, gentileza – Dentre os mandamentos básicos do xintoísmo incluem-se o dever de não incomodar os outros, não mentir, não trapacear e se contentar com o que tem. Por isso, não há o hábito de dar gorjetas, o que se recebe por fazer um bom trabalho é o suficiente. Não é permitido falar alto em lugares públicos, as pessoas que atendem o público estão sempre sorridentes, tudo é entregue com as duas mãos e uma pequena reverência.
  • No térreo do Umeda Sky Building, em Osaka (em cujo observatório pode-se ter uma visão geral da cidade) há uma horta, em que as crianças das escolas plantam e podem acompanhar o crescimento dos vegetais para ter uma visão da “teia da vida”. Há grandes grupos de crianças e adolescentes visitando templos, santuários e museus.
  • Não há mendigos nas ruas, é proibido pedir esmolas. As Prefeituras oferecem uma renda mensal para quem precisa, mas tudo é rigorosamente acompanhado e controlado. Em grandes cidades, como Tóquio, com 12 milhões de habitantes, vi algumas pessoas dormindo sob viadutos.
  • A cidade de Kyoto, Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, tem cerca de dois mil templos. Os que pude visitar são belíssimos, com trabalhos refinados em madeiras e metais. Há também os santuários xintoístas e grande parte da população se define como budista-xintoísta. Nas orações, pede-se para os outros, não para si próprio.
  • Tradições milenares convivem com a mais avançada tecnologia. Está em moda para as moças alugarem quimonos para passear de riquixá enquanto falam nos celulares. Em alguns banheiros públicos, há sanitários no chão e outros em que é possível regular a temperatura do assento e a intensidade das duchas para higiene.
  • Cerca de 73% do Japão é montanhoso e há muitos vilarejos com casas centenárias, totalmente preservadas, como em Shiragawa-go, em um vale profundo com montanhas cobertas pela mata, com 50 casas com telhados feitos com palha de arroz. Há muita solidariedade e cooperação entre os habitantes.
  • Em Hakone, o passeio de barco pelo lago Ashi e a subida ao Monte Kamagatake pelo teleférico permite ver o Monte Fuji, o mais alto do Japão. Não é muito comum ele estar totalmente visível mas, por sorte, abriu uma pequena janela entre as nuvens e fotografei o topo, nessa época, sem neve.
  • Os jardins japoneses que pude ver em templos, santuários ou próximo ao hotel em Tóquio convidam à contemplação. Transmitem paz, beleza, serenidade, equilíbrio, harmonia. Um grande contraste com alguns bairros de Tóquio, como Shibuya, que achei aflitivos pela grande quantidade de anúncios luminosos e a multidão que se movimenta pelas ruas. Ninguém atravessa fora da faixa ou com o sinal de pedestres fechado.
  • Em Tóquio, gostei de ver uma apresentação no Teatro Kabuki e de visitar o Museu Nacional de Tóquio no Parque Ueno, onde me concentrei nas seções de tesouros nacionais e arte asiática.
  • Quero voltar ao Japão!

Mais diplomas, menos depressão. Será?

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Um bom nível de educação, em sentido amplo, pode propiciar uma vida plena (Fotografei na Costa Rica).

Pessoas com diplomas universitários e de pós-graduação tendem a ter menos depressão. O maior nível de instrução tem impacto na saúde física e emocional, uma vez que aumenta a probabilidade de conseguir emprego e ter salários mais altos, em comparação com as pessoas com menor grau de escolaridade. Esse é um dos indicadores analisados no Relatório “Education at a Glance” 2017, apresentado pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico). A pesquisa, feita em diversos países, mostrou ainda a correlação entre maior escolaridade e maior expectativa de vida.

Em 2015, a ONU apresentou a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com 17 metas globais, incluindo a erradicação da pobreza, a proteção do planeta e a garantia de que todas as pessoas possam viver em paz e com prosperidade. A quarta meta especifica a necessidade de garantir uma educação de qualidade para todos e a promoção de oportunidades para a aprendizagem contínua.

Com amplo acesso à informação propiciado pela internet, aumenta a necessidade de desenvolver múltiplas habilidades e a motivação para exercer o empreendedorismo que possibilita abrir melhores caminhos. Essencial é o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, como a empatia, a clareza da comunicação, a capacidade de trabalhar em equipe. Por isso, a educação precisa se referir a um sentido mais amplo, incluindo a capacidade de se relacionar bem com os outros e contribuir para o bem-estar coletivo. Isso fortalecerá a autoestima e a autoconfiança, assim como a resiliência e a persistência para não desistir ou se desencorajar facilmente diante das dificuldades.

Portanto, os resultados do Relatório da OCDE apontam para uma tendência ao associar o nível mais alto de escolaridade com a redução dos casos de depressão, mas isso não é uma equação infalível. Há pessoas com muitos diplomas que sofrem de depressão e, ao contrário, pessoas com pouca escolaridade que conseguem abrir bons caminhos em suas vidas.

Da mesma forma, nem sempre o nível mais alto de escolaridade protege contra a ansiedade, a depressão e a baixa de autoconfiança e autoestima. Há casos de pessoas superqualificadas que perdem o emprego e não conseguem se recolocar, nem ao menos com trabalhos que oferecem salários mais baixos. E há profissionais liberais e trabalhadores autônomos que passam períodos com menos demanda de serviços e ficam com o tempo de trabalho não totalmente preenchido. Para alguns, mas não para todos, isso conduz à baixa de autoestima, insegurança, ansiedade e, eventualmente, quadros depressivos.

Viver em um mundo instável e sem garantias de conseguir trabalho exige flexibilidade para se ajustar às novas condições, redefinir expectativas e fazer outros projetos. É a oportunidade de encontrar equilíbrio entre vida de trabalho, vida de família e vínculos pertinentes. Realização profissional não é a única dimensão de nossas vidas.

O Relatório Education at a Glance 2017 pode ser acessado no link:

http://www.oecd-ilibrary.org/docserver/download/9617041e.pdf?expires=1506103996&id=id&accname=guest&checksum=D10F36A00FEC9F0C38C312FF6028138E