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O poder da beleza

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Cachoeiras majestosas me emocionam por sua força e beleza (Fotografei no Parque Nacional da Serra Geral, SC).

“A beleza está nos olhos de quem vê”; “Quem ama o feio bonito lhe parece”; “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Ditados populares e citações de poetas permearam a conversa com o grupo de amigos sobre o poder da beleza.

No filme “Don Juan de Marco”, a característica marcante do personagem representado por Johnny Depp era descobrir a beleza em todas as mulheres com quem interagia, o que embasava sua eficiente técnica de sedução. E, no desenho animado Shrek, a princesa transformada em ogra era bela e fascinante aos olhos dele.

Compartilhamos reflexões sobre a diversidade de padrões de beleza física em diversas épocas e culturas: pescoços alongados, pés pequenos, orelhas esticadas por círculos de madeira, tatuagens e outras intervenções no corpo para representar beleza ou status social. Uma das participantes, que trabalha com o impacto emocional das cirurgias plásticas mencionou muitos casos de busca compulsiva dos “cortes” evidenciando a necessidade de uma “costura” interna, para preencher perdas, aliviar desilusões amorosas, conter a ameaça do envelhecimento visto como decadência por quem constrói sua autoestima e sua popularidade na aparência da beleza jovem. Por outro lado, adolescentes e mulheres jovens buscando o “corpo perfeito”, escravizadas a padrões impostos como única possibilidade de se sentirem atraentes a ponto de perderem a capacidade de se perceberem, como em casos de anorexia que, por mais magras que estejam, o espelho lhes “diz” que ainda estão gordas.

Para muitas pessoas, é difícil viver com o que tem e é. Até mesmo pessoas consideradas muito belas sofrem de depressão, baixa autoestima, síndrome do pânico.

Porém, quantas pessoas feias pelos padrões estéticos vigentes são incrivelmente atraentes e vivem felizes! Qualidade da conversa, simpatia, generosidade, amor próprio são algumas das características que as tornam pessoas atraentes. Além do “charme” e do “borogodó”!

A conversa com o grupo foi além dos parâmetros da beleza do corpo para refletir sobre o impacto de obras de arte, música, contemplação da natureza no dia a dia de nossas vidas, para elevar o espírito, agir como bálsamo para as dificuldades que precisamos enfrentar e abrir portas da percepção. Uma das participantes mencionou que montar arranjos florais com as aulas de ikebana ampliou sua capacidade de admirar as pinturas que sempre apreciou em visitas a museus. Outra disse que uma das boas coisas do envelhecimento é ter tempo e tranquilidade para contemplar a beleza da natureza e das pessoas. Mesmo tendo enfrentado muitos problemas na vida, não endureceu. Contemplar a beleza a salvou!

Que poder a beleza exerce em cada um? As pessoas compartilharam diversas percepções: o impacto de ver os anéis de Saturno em um observatório; o sorriso de uma criança; ouvir atentamente o canto dos pássaros nas matas; observar atos de gentileza entre as pessoas; deixar-se envolver pelo mar ou por uma cachoeira; um belo prato de comida; entrar em uma imponente catedral; ouvir uma música emocionante; gerar um filho.

O poder da beleza é despertar a emoção!

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Mudanças: as únicas certezas em nossas vidas

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Água, areia, vento: paisagem que muda a cada momento (Fotografei nos Lençóis Maranhenses)

Esse foi o tema de uma transmissão ao vivo que fiz com Josie Conti, colega psicóloga que organiza a ContiOutra. Começamos sobrevoando a linha do tempo com as passagens marcantes de nascimento, entrada na escola, adolescência, começo de vida profissional, formação de família, envelhecimento. São as transições previsíveis no ciclo vital. Também conversamos sobre mudanças inesperadas, que exigem flexibilidade, resiliência e capacidade de adaptação às novas circunstâncias tais como perdas, separações, migrações, desemprego.

Como os alicerces de tudo que acontece no decorrer da vida estão na gestação, no nascimento e nos primeiros anos, conversamos sobre os significados simbólicos do parto e do desmame. A cada grande mudança, parimos novos aspectos de nossa identidade e nos vemos em territórios ainda inexplorados. E precisamos nos “desmamar” do contexto ao qual estávamos habituados para nos lançarmos em novas possibilidades.

A troca de ideias com os participantes foi emocionante. Muitos falaram sobre mudanças marcantes:

– “Quando deixei a comodidade de um bom emprego e fui para outra cidade trabalhar com o que eu amo. Bati as asas e voei”;

– “Quando fui morar em outro país, longe dos meus pais que tanto amo”;

– “Quando tive uma doença que me limitou muito e precisei me reinventar”;

– “Quando tive de aprender a dormir sozinha depois da separação. Quase comprei um urso!”

– “Minha inspiração para enfrentar mudanças é o meu avô, que está com 93 anos e diz que a vida é eterna evolução e que adoecemos quando insistimos em estagnar”

Muitos participantes ofereceram reflexões sobre o tema:

– A mudança é a única permanência na vida;

– Mudar de país é como nascer de novo;

– O importante é sempre se adaptar ao previsto e ao imprevisto;

– Romper padrões é um desafio (casamento, separação, morar sozinha, reorganizar a vida depois que os filhos saem de casa);

– A solidão é transformadora;

– Criamos dependência até de coisas ruins, como relações abusivas. Por medo de uma grande mudança, ficamos sem coragem para colocar um ponto final e sofremos limitações por conta dessa dependência.

E vocês, leitores, querem compartilhar nos comentários suas experiências com grandes mudanças?

 

 

Escolhas pouco convencionais

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Escolhas ousadas me revelaram novos horizontes. (Fotografei em Cayman).

Em 2016, completo 45 anos de trabalho como psicóloga. Meu caminho tem sido marcado por escolhas pouco convencionais, desde o momento em que decidi estudar Psicologia.

Fiz essa escolha quando, com 14 anos, li um livro sobre psicologia da adolescência. A profissão acabava de ser regulamentada no Brasil. Meus pais acharam essa escolha bem estranha, gostariam que eu estudasse Medicina.

Assim que terminei a graduação na PUC-RIO, comecei a dar aulas, atender em consultório e cursar o Mestrado em Psicologia, também na PUC-RIO. A grande maioria dos projetos de tese era sobre psicanálise. Escolhi pesquisar sobre psicologia da gravidez e abordar a importância da prevenção. Não havia bibliografia disponível no Brasil e nem professores para me orientar nesse tema. Como surgiu a oportunidade de passar alguns meses nos Estados Unidos, passei dias inteiros na biblioteca da Universidade de Harvard. Voltei para o Brasil com uma mala cheia de livros e de fotocópias de artigos em revistas especializadas. Ainda não havia internet…

Comecei a trabalhar com grupos de gestantes em consultório e em hospitais públicos, e a fazer grupos de reflexão sobre a tarefa assistencial com profissionais de saúde, com uma abordagem pioneira.

Psicologia da gravidez foi meu primeiro livro, voltado para estudantes e profissionais da área da saúde, bem acolhido até hoje, em suas várias atualizações. Fico feliz por saber que esse trabalho inspirou muita gente a atuar com as “famílias grávidas”!

Como gosto de abrir caminhos e de aprender coisas novas, continuei ousando no trabalho com casais e famílias, e publiquei muitos livros sobre relacionamento familiar e desenvolvimento pessoal. E, então, por volta dos 40 anos, veio o desejo de escrever ficção para adolescentes, criando histórias que abordavam diferentes vertentes da construção da paz.

A transição da escrita de não ficção para a ficção não foi fácil, mas se revelou muito prazerosa. Os sambas dos corações partidos é o sexto livro dessa série, e, com isso atingi a marca de 40 livros publicados. Pretendo escrever muitos outros!

A transição para a ficção (que não me impediu de continuar escrevendo livros de não-ficção) ocorreu no mesmo período em que ampliei meu trabalho como palestrante e, para isso, me aprofundei no campo das artes, com cursos de teatro e continuidade do estudo de música. Essa liberdade criativa inspirou outras escolhas pouco convencionais: compor músicas para minhas palestras e lançar o primeiro livro-show do mercado editorial brasileiro (Nas trilhas da vida, em parceria com o músico Itiberê Zwarg).

Escolhas ousadas e pouco convencionais em outras áreas da vida também envolveram riscos, mas sempre me inspiraram muito entusiasmo e força para enfrentar os desafios de sair das “zonas de conforto” e descortinar novos horizontes!