Você acredita em “palmadas educativas”?

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Se professores, babás e outras pessoas que cuidam de crianças desenvolvem recursos para discipliná-las e estimulá-las a fazer o que precisa ser feito sem bater ou gritar descontroladamente, por que os pais não poderiam fazer o mesmo?

Na transmissão ao vivo que dei sobre o tema “Bater para educar?!” encontrei comentários do tipo: “Eu acredito na palmada”; “Minha mãe foi muito carrasca comigo, apanhei bastante e hoje não repito tais métodos extremos com meus filhos”; “Apanhei, porque era a ferramenta que os pais tinham na época”; “Meu pai me espancava e isso me fez muito mal”; “eu apanhei muito, mas me sinto feliz como eu sou”.

Excetuando casos extremos de violência intrafamiliar, vejo pessoas que se desenvolveram bem, apesar de terem apanhado até com “varadas de goiabeira”. Isso porque, certamente, havia também momentos de carinho, alegria, compreensão e amor nessas relações familiares. O que não quer dizer que foram esses métodos que garantiram a “boa criação”.

No outro extremo, há pais com muitas dificuldades de colocar os limites devidos, como nesse comentário: “Hoje o que vejo são pais com medo dos filhos e crianças sem limites”

Em contraposição, outros comentários do tipo: “Eu acredito no diálogo”; “Tenho tentado usar a disciplina positiva na escola”; “Nunca bati e meu filho nunca me deu trabalho”;

Com a disseminação de informações vindas da psicologia, aumentaram os recursos disponíveis para colocar limites de forma eficiente sem recorrer a castigos físicos. Por conta disso, considera-se que bater, gritar e se descontrolar transmitem às crianças que os adultos estão inseguros, sem recursos eficientes para lidar com eles.

Os limites precisam ser colocados com serenidade, firmeza, persistência e coerência. E os “combinados” são estratégias que estimulam responsabilidade e autocontrole.

Claro que haverão muitos momentos difíceis: “O pior é quando a criança faz birra, dá chiliques. Dá vontade de sair correndo!”. O problema é quando os adultos se descontrolam e dão chiliques também. É essencial fazer um esforço para se acalmar para, em seguida, tentar acalmar a criança, por exemplo, transmitindo que compreende o que ela está sentindo: “Eu sei que você está muito zangada porque não está podendo fazer o que quer. Mas vamos descobrir o que você vai poder fazer”.

Convém esclarecer que a criança pequena vive na “lei do desejo”, que surge com muita força. Quando frustrada, fica enraivecida. Precisa aprender a esperar ou a escolher o que é possível. Mas, antes de construir esse “freio interno” é preciso contar com o “freio externo” dos limites colocados com firmeza, carinho e compreensão.

Há muitos recursos que podem ser desenvolvidos para colocar limites com firmeza, consistência e serenidade, sem recorrer a palmadas ou a surras com “vara de goiabeira” como ainda ouço pessoas falarem! O relacionamento familiar construído com respeito, e não com medo, é o melhor caminho para educar os filhos.

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Empreendedora digital aos 70 anos

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Tenho enfrentado muitas dificuldades nesse novo caminho, mas estou encantada com as descobertas!

Quando não temos emprego, criamos trabalho! Somos empreendedores também quando estamos com carteira de trabalho assinada, quando nutrimos ideias criativas para realizar nossas tarefas sempre da melhor forma, quando somos proativos em vez de ficar esperando que outras pessoas nos digam o que precisa ser feito, quando buscamos novos conhecimentos para nos mantermos atualizados, e contribuindo para a eficácia do trabalho em equipe.

Porém, com os altos índices de desemprego e da perspectiva de drásticas reduções no mercado de trabalho com o avanço da inteligência artificial, mais do que nunca é necessário desenvolver o espírito empreendedor desde a infância. Para isso, é essencial nutrir a curiosidade, o interesse de descobrir novas possibilidades, o gosto pelo desafio e pela superação das dificuldades, a persistência para não desistir diante dos obstáculos que surgem. É essencial também olhar o erro como fonte de aprendizagem, lidar com a frustração de constatar que alguns projetos não deram certo e perceber que os problemas fazem parte do “pacote da vida”.

Em décadas de trabalho, abri e fechei ciclos de atividades para iniciar novos projetos. Tenho uma longa história como empreendedora. A começar pela escolha de estudar psicologia pouco depois da criação dessa profissão. No Mestrado, escolhi o tema Psicologia da gravidez, quando não havia muitos estudos a respeito, no Brasil. Nem tive quem me orientasse a tese tendo conhecimento sobre o assunto. As dificuldades de me inserir em equipes multidisciplinares, o trabalho voluntário em maternidades públicas, fazendo atendimentos em grupo de gestantes em condições precárias da sala de espera e da enfermaria de puérperas: tudo isso foi fonte de grande aprendizagem e de estímulo para continuar abrindo caminhos. O trabalho em consultório, com e sem parceria com obstetras, a oportunidade de ser contratada por uma maternidade privada para trabalhar com a equipe sobre qualidade de assistência emocional, implantar alojamento conjunto e atendimento às famílias de bebês internados em UTI Neonatal: novos desafios e mais aprendizagem.

Para equilibrar vida profissional e familiar, precisei fechar ciclos para iniciar novos projetos. Há tempos, deixei de ser professora universitária e psicóloga hospitalar para expandir o consultório como terapeuta de casais e de famílias e ampliar minha atuação como palestrante em todo o Brasil. Fui muito importante fazer um curso de Plano de Negócios juntamente com cursos livres de teatro para mesclar coragem e cautela e encarar essa mudança de rumo. Como estava com 50 anos, não foi fácil entrar no mercado de palestras com a grande maioria de homens entre 30 e 45 anos…

Como me diferenciar, apresentando conteúdo de qualidade com uma embalagem atraente e fora do comum? Aos 60 anos, ficava ainda mais difícil manter posição. Decidi, então, integrar outros conhecimentos. Como estudo piano há muito tempo, comecei a compor letras e músicas para minhas palestras. E, a essa altura, conheci meu amor da maturidade, que é músico e fez arranjos maravilhosos para minhas composições. Resultado: uma trilha sonora luxuosa para fazer palestras-show!

Enfrentar os inúmeros obstáculos do mercado editorial para conseguir publicar 41 livros tampouco foi um caminho fácil. Porém, é muito estimulante e gratificante constatar o alcance dos livros para compartilhar muito do que aprendi ao longo do tempo de estudos contínuos e da prática dos atendimentos.

E, então, há alguns anos, publiquei uma atualização de Psicologia da gravidez somente em formato digital. Por isso, precisei superar a resistência de entrar nas redes sociais, e cá estou. Comecei a trabalhar em uma época em que a Internet ainda não existia e, ao completar 70 anos, lancei o meu primeiro curso online – “A tecelagem do vínculo, da gestação aos dois anos”. Curiosamente, com o mesmo tema do primeiro livro! Grande desafio, enormes dificuldades para me entender com a plataforma que abriga os cursos (lancei outro, “Limites na educação- crianças, adolescentes e adultos precisam de limites”), mergulhando de cabeça no marketing digital. Nada tranquilo, para quem nasceu décadas antes dos “nativos digitais”!

Estou entusiasmada com as novas possibilidades: a interação intensa com as pessoas que fazem o curso, e que assistem minhas transmissões ao vivo. Então, é isso: continuo empreendedora, agregando a faceta “empreendedora digital” nessa nova década de vida. Nutrindo curiosidade, prazer de aprender, encarando dificuldades junto com o encantamento pelas descobertas.

Os primeiros passos em nossas vidas

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Medo e insegurança se mesclam com o entusiasmo de aprender a dar os primeiros passos.

Em uma transmissão ao vivo, houve comentários interessantes sobre o tema dos primeiros passos que experimentamos cada vez que entramos em um território novo que demanda aprendizagem e inclui um período inevitável de insegurança, tentativas frustradas e muitos erros.

Como a grande maioria das pessoas, não me lembro como dei os primeiros passos quando comecei a andar, pouco antes de completar um ano de idade. Porém, mesmo sem lembrar conscientemente, essa é uma experiência marcante na vida de todos nós. Passamos a ver o mundo em outras perspectivas, exploramos o espaço, ampliamos nossos horizontes, dando início ao processo de locomoção independente. No outro extremo da vida, há os que perdem essa possibilidade quando, em idade avançada, apresentam problemas de mobilidade a tal ponto que literalmente mal conseguem andar com os próprios pés. Torna-se necessária outra adaptação, no sentido de aceitar a perda da independência e a necessidade de receber assistência.

Observar bebês nesse processo de dar os primeiros passos, contando com o suporte e o encorajamento dos adultos, revela padrões diferenciados. Inevitavelmente, ao tentar se equilibrar nos dois pés a criancinha cairá muitas vezes: há as que sentam, choram e demoram a tentar de novo, com medo de novas quedas; há as que, a cada queda, se levantam e renovam sua disposição de aprimorar a nova competência. É emocionante constatar a alegria dos momentos em sentem que estão conquistando um novo espaço.

O processo de dar primeiros passos acontece muitas vezes na vida de todos nós: andar de bicicleta, aprender a ler e a escrever, aventurar-se no primeiro amor, iniciar nova etapa de estudos, o primeiro emprego, formar um relacionamento amoroso, ter filhos. Quando perguntei sobre primeiros passos marcantes na vida de quem estava assistindo a transmissão ao vivo sobre esse tema, alguns responderam: quando mudei de cidade, com o divórcio, com a viuvez, quando decidi fazer uma nova faculdade e mudar de carreira. Eu mesma comentei que, aos 70 anos, estou dando os primeiros passos como empreendedora digital, organizando meus cursos online.

Medo, insegurança e incerteza fazem parte desse processo, juntamente com o entusiasmo de aprender coisas novas e o gosto pelo desafio de abrir caminhos.

Porém, encontramos padrões diferentes quando pensamos nessa disposição de dar os primeiros passos. Há os que se assustam com as mudanças e evitam escolher caminhos diferentes dos habituais. Acomodam-se ao território conhecido, mesmo quando está insatisfatório. Outros são ousados e até impulsivos, mergulham de cabeça nas experiências novas e, com isso, pode faltar o planejamento adequado e a dose de cautela que evitam problemas e reduzem o risco do empreendimento.

É possível observar esses padrões em crianças e adolescentes. “Meu filho tem medo de coisas novas”, “acha que não vai conseguir e aí desiste ou fica paralisado”. São comentários que ouço com frequência nas consultorias. Costumo orientar para rever com a própria criança as situações em que aprendeu uma nova habilidade e superou o medo de não saber. “Lembre como foi difícil para você aprender a escrever” (ou ler, andar de velocípede, e outras tantas ocasiões que podem ser ilustradas com fotos ou vídeos da época). O importante é refletir que, diante de cada novo desafio, o medo de não conseguir poderá ser melhor enfrentado ao relembrar situações de conquistas passadas.

Bullying e barbárie

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A interação de muitos fatores conduz algumas pessoas ao cultivo do ódio.

Sempre que ocorrem massacres em que atiradores matam alunos, professores e funcionários em escolas, uma das questões que sempre surge é se essas pessoas sofreram bullying. A perplexidade coletiva despertada pelo choque dessas notícias motiva a busca das possíveis causas desse horror. No entanto, é importante esclarecer que bullying não é causa única de barbárie.

Ações de extrema violência e crueldade acontecem pela interação de muitos fatores. Um enorme número de pessoas sofre bullying, cyberbullying e outras formas de assédio virtual sem cultivar ódio dentro de si. Sob a pressão de ataques severos ou persistentes, aliados a outros fatores, muitos desenvolvem síndrome do pânico ou depressão. Mas entre desejar trucidar pessoas para se vingar do mal que sofreu e partir para uma ação violenta no mundo real há uma enorme diferença. Não há explicações simples para a barbárie que caracteriza esses massacres.

Ao decidir escrever “Bullying e cyberbullying”, coloquei como subtítulo “O que fazemos com o que fazem conosco” justamente para analisar essa questão. Há diversas maneiras de reagir aos ataques: ampliar recursos de ação e redes de apoio, fortalecer a assertividade para sair da posição de alvo, desesperar-se e achar que não saída para o problema, tornar-se autor de bullying para conquistar poder e por aí vai.

Na década de 1990, a UNESCO lançou o Programa Mundial da Cultura da Paz. Na ocasião, consultou pesquisadores de vários países com a pergunta: A violência é inata no ser humano? O consenso geral, que consta da Declaração de Sevilha, é que a violência é uma linguagem aprendida. O que é inata é a raiva, a energia agressiva. No processo educacional, precisa ser canalizada para fins construtivos, tais como assertividade, determinação e persistência para enfrentar obstáculos.

Quando o autocontrole das emoções é construído de forma satisfatória, aprendemos a tomar conta da raiva antes que ela tome conta de nós. Ou seja, nosso freio interno (fortalecido por valores morais, ética, compaixão, empatia) impede que a raiva transborde e siga o caminho do ódio e da violência. Mas quando não há um sentido da vida a direcionar nossos projetos e os transtornos psicológicos (como a depressão e ideias suicidas) são graves, a dor emocional da humilhação e de agressões sofridas podem se transformar em ódio e em desejo de vingança. Ou então, como nos casos de psicopatia, os outros são destituídos de humanidade, e a pessoa premedita friamente seus atos, como se tudo fosse um jogo de guerra virtual em cenários reais, assassinando pessoas de carne e osso.

Há muitas vertentes a se considerar no cultivo do ódio. A linguagem da violência presente na família ou na comunidade, a cultura machista que confunde masculinidade com o uso de força bruta, a admiração social pelos “heróis” truculentos, a participação em grupos que disseminam mensagens de ódio e encorajam ações destrutivas (incluindo as autodestrutivas como mutilação e suicídio), a adesão a fóruns na internet que propagam redes de ódio (os “chans”), como um grupo de pertencimento.

Como a violência é uma linguagem aprendida, ela pode ser desaprendida. Podemos cultivar esperança, amor, solidariedade e compaixão, mesmo quando estamos em cenários sombrios.

http://www.comitepaz.org.br/sevilha.htm – Declaração de Sevilha sobre a violência.

O Dia da Mulher e seus direitos

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Que mulheres e homens floresçam lado a lado! (Fotografei na Holanda)

Amor, alegria, prazer, sobrecarga, sofrimento, violência, celebração, conscientização. Tudo junto e misturado para estimular reflexões e caminhos de ação no Dia Internacional da Mulher.

Muitos caminhos estão se abrindo no sentido de garantir o direito das mulheres de escolher com liberdade como querem viver. No entanto, apesar dos avanços conquistados com a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, ações no sentido de desconstruir o machismo por meio da ressocialização dos agressores e de outras ações de prevenção da violência, o Brasil ainda ocupa o quinto lugar no mundo nas estatísticas de assassinato de mulheres.

Ainda há muito a ser feito!

O Relatório 2018 da ONU Mulheres mostra que os movimentos em prol dos direitos das mulheres, segurança e justiça estão crescendo expressivamente em muitos países. Muitas mulheres líderes e ativistas estão pressionando governos e instituições para construir um mundo mais justo e inclusivo.

Quando as mulheres se desenvolvem profissionalmente, a economia melhora. No entanto, ainda é comum que as mulheres recebam salários mais baixos do que os homens pelas mesmas tarefas e trabalhem em condições inseguras. Felizmente, em muitos países, crescem os grupos de mulheres empreendedoras que exigem seus direitos e escolhem como querem viver.

Na questão da violência contra mulheres e meninas, é imprescindível haver uma abordagem que integre penalidades mais duras, ações de prevenção mais eficazes, serviços de atendimento de melhor qualidade e coleta de dados mais confiável que possam orientar políticas públicas eficientes.

Porém, apesar do crescimento desse tipo de ativismo, ainda persistem em larga escala crenças e comportamentos que perpetuam estereótipos de gênero, discriminações e desigualdades como as principais raízes da violência contra mulheres e meninas. Este é o grande desafio para as ações de prevenção.

A ONU Mulheres escolheu o tema “Pensemos em igualdade, construção das mudanças com inteligência e inovação” para o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2019. A esperança é inspirar ações que conduzam a um futuro em que a tecnologia e a inovação garantam que nenhuma mulher ou menina fique para trás. É essencial que as mulheres contribuam ativamente para a construção de sistemas mais inclusivos para que seja possível ampliar o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030, que requer mudanças transformadoras na sociedade e novas soluções para a igualdade de gênero.

 

https://observatorio3setor.org.br/media-center/radio-usp/a-situacao-da-mulher-no-brasil/- entrevista sobre dados recentes de violência contra a mulher no Brasil e ações necessárias para combatê-la.

 

http://annualreport.unwomen.org/en/2018 – relatório anual da situação da mulher no mundo, da ONU Mulheres.

 

http://www.onumulheres.org.br/noticias/onu-mulheres-define-tema-global-para-dia-internacional-das-mulheres-pensemos-em-igualdade-construcao-com-inteligencia-e-inovacao-para-a-mudanca/ – a campanha da ONU Mulheres para o Dia Internacional da Mulher 2019.

 

http://www.endvawnow.org/ –  site que descreve várias ações para combater a violência contra mulheres e meninas (“end violence agains women and girls”), em parceria com a ONU Mulheres

O poder da beleza

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Cachoeiras majestosas me emocionam por sua força e beleza (Fotografei no Parque Nacional da Serra Geral, SC).

“A beleza está nos olhos de quem vê”; “Quem ama o feio bonito lhe parece”; “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. Ditados populares e citações de poetas permearam a conversa com o grupo de amigos sobre o poder da beleza.

No filme “Don Juan de Marco”, a característica marcante do personagem representado por Johnny Depp era descobrir a beleza em todas as mulheres com quem interagia, o que embasava sua eficiente técnica de sedução. E, no desenho animado Shrek, a princesa transformada em ogra era bela e fascinante aos olhos dele.

Compartilhamos reflexões sobre a diversidade de padrões de beleza física em diversas épocas e culturas: pescoços alongados, pés pequenos, orelhas esticadas por círculos de madeira, tatuagens e outras intervenções no corpo para representar beleza ou status social. Uma das participantes, que trabalha com o impacto emocional das cirurgias plásticas mencionou muitos casos de busca compulsiva dos “cortes” evidenciando a necessidade de uma “costura” interna, para preencher perdas, aliviar desilusões amorosas, conter a ameaça do envelhecimento visto como decadência por quem constrói sua autoestima e sua popularidade na aparência da beleza jovem. Por outro lado, adolescentes e mulheres jovens buscando o “corpo perfeito”, escravizadas a padrões impostos como única possibilidade de se sentirem atraentes a ponto de perderem a capacidade de se perceberem, como em casos de anorexia que, por mais magras que estejam, o espelho lhes “diz” que ainda estão gordas.

Para muitas pessoas, é difícil viver com o que tem e é. Até mesmo pessoas consideradas muito belas sofrem de depressão, baixa autoestima, síndrome do pânico.

Porém, quantas pessoas feias pelos padrões estéticos vigentes são incrivelmente atraentes e vivem felizes! Qualidade da conversa, simpatia, generosidade, amor próprio são algumas das características que as tornam pessoas atraentes. Além do “charme” e do “borogodó”!

A conversa com o grupo foi além dos parâmetros da beleza do corpo para refletir sobre o impacto de obras de arte, música, contemplação da natureza no dia a dia de nossas vidas, para elevar o espírito, agir como bálsamo para as dificuldades que precisamos enfrentar e abrir portas da percepção. Uma das participantes mencionou que montar arranjos florais com as aulas de ikebana ampliou sua capacidade de admirar as pinturas que sempre apreciou em visitas a museus. Outra disse que uma das boas coisas do envelhecimento é ter tempo e tranquilidade para contemplar a beleza da natureza e das pessoas. Mesmo tendo enfrentado muitos problemas na vida, não endureceu. Contemplar a beleza a salvou!

Que poder a beleza exerce em cada um? As pessoas compartilharam diversas percepções: o impacto de ver os anéis de Saturno em um observatório; o sorriso de uma criança; ouvir atentamente o canto dos pássaros nas matas; observar atos de gentileza entre as pessoas; deixar-se envolver pelo mar ou por uma cachoeira; um belo prato de comida; entrar em uma imponente catedral; ouvir uma música emocionante; gerar um filho.

O poder da beleza é despertar a emoção!

Mudanças: as únicas certezas em nossas vidas

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Água, areia, vento: paisagem que muda a cada momento (Fotografei nos Lençóis Maranhenses)

Esse foi o tema de uma transmissão ao vivo que fiz com Josie Conti, colega psicóloga que organiza a ContiOutra. Começamos sobrevoando a linha do tempo com as passagens marcantes de nascimento, entrada na escola, adolescência, começo de vida profissional, formação de família, envelhecimento. São as transições previsíveis no ciclo vital. Também conversamos sobre mudanças inesperadas, que exigem flexibilidade, resiliência e capacidade de adaptação às novas circunstâncias tais como perdas, separações, migrações, desemprego.

Como os alicerces de tudo que acontece no decorrer da vida estão na gestação, no nascimento e nos primeiros anos, conversamos sobre os significados simbólicos do parto e do desmame. A cada grande mudança, parimos novos aspectos de nossa identidade e nos vemos em territórios ainda inexplorados. E precisamos nos “desmamar” do contexto ao qual estávamos habituados para nos lançarmos em novas possibilidades.

A troca de ideias com os participantes foi emocionante. Muitos falaram sobre mudanças marcantes:

– “Quando deixei a comodidade de um bom emprego e fui para outra cidade trabalhar com o que eu amo. Bati as asas e voei”;

– “Quando fui morar em outro país, longe dos meus pais que tanto amo”;

– “Quando tive uma doença que me limitou muito e precisei me reinventar”;

– “Quando tive de aprender a dormir sozinha depois da separação. Quase comprei um urso!”

– “Minha inspiração para enfrentar mudanças é o meu avô, que está com 93 anos e diz que a vida é eterna evolução e que adoecemos quando insistimos em estagnar”

Muitos participantes ofereceram reflexões sobre o tema:

– A mudança é a única permanência na vida;

– Mudar de país é como nascer de novo;

– O importante é sempre se adaptar ao previsto e ao imprevisto;

– Romper padrões é um desafio (casamento, separação, morar sozinha, reorganizar a vida depois que os filhos saem de casa);

– A solidão é transformadora;

– Criamos dependência até de coisas ruins, como relações abusivas. Por medo de uma grande mudança, ficamos sem coragem para colocar um ponto final e sofremos limitações por conta dessa dependência.

E vocês, leitores, querem compartilhar nos comentários suas experiências com grandes mudanças?