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Dicas para aliviar a carga mental

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“Meu marido adora convidar nossos amigos para um churrasco, que ele prepara muito bem, e é muito elogiado por todos. Mas sou eu quem organizo tudo, chamo as pessoas, arrumo a casa, providencio um monte de coisas, que ninguém percebe e, claro, ninguém me elogia!” Esse é o desabafo de uma participante de um estudo na Espanha que revela que 3 em cada 4 mulheres sofrem com essa carga mental, o trabalho invisível e não valorizado do gerenciamento doméstico: planejar, executar, tomar conta da agenda dos filhos, da agenda social do casal e mil outros detalhes, além dos afazeres “concretos” (colocar roupa para lavar, cozinhar, limpar a casa).

No entanto, 40% das mulheres desse estudo nem conheciam esse conceito. A psicóloga espanhola Violeta Alcocer supervisionou uma pesquisa em que vários casais foram convidados a anotar em seus celulares todas as tarefas e compromissos domésticos que realizaram em uma semana. Embora quase todos acreditassem que compartilhavam as tarefas, o que ficou evidente foi que a lista de compromissos das mulheres era incrivelmente maior do que a dos homens.

A “executiva do lar” em ação está alicerçada na crença secular de que isso é uma função “natural” da mulher. É ela quem cuida de tudo e de todos. Muitas mulheres idosas verbalizam o temor de ser um peso na vida dos filhos, por exemplo. Acostumadas a cuidar, sentem dificuldade de receber cuidados.

Em uma transmissão ao vivo que fiz sobre esse tema, muitos comentários interessantes: “Ele é o pai, mas o filho é meu!”, “a gente é bombardeada por cobranças de todos os lados”; “minha própria mãe me critica quando vê meu marido cozinhando”; “meu marido reclama que tudo tem que ser do meu jeito, o que ele faz não serve”; “não preciso de ninguém, eu me basto!”; “meu filho de 24 anos mora comigo, e não colabora com coisa alguma, eu faço tudo, embora trabalhe oito horas por dia”.

Cobranças externas e internas, sentimento de culpa, superexigência de achar que tem que dar conta de tudo, desprezando a parceria, sem aceitar que os outros podem fazer as coisas com seu jeito próprio, tendência centralizadora, possessividade com relação aos filhos. São muitas formas de construir sobrecarga, e o resultado é exaustão, irritabilidade, adoecimento.

Como aliviar a carga mental?

  • Compartilhar afazeres, fazer o compromisso da co-responsabilidade – quando o relacionamento está consolidado em bases desiguais, não dá para mudar o padrão da noite para o dia mas é possível conversar a respeito e trabalhar a partir do compromisso de fazer mudanças mínimas e progressivas até atingir um patamar mais igualitário;
  • Criar tempo para descarregar tensões – cantar, dançar, caminhar, meditar ou, pelo menos, prestar atenção à respiração por alguns minutos sempre que possível;
  • Perceber a beleza – deixar-se encantar e apreciar a natureza para “recarregar as baterias”;
  • Microautocuidados – “o que de melhor posso fazer por mim hoje?”: prestar atenção ao que come, fazer uma massagem na sola dos pés após o banho, descobrir o que pode deixar de fazer (revisão da superexigência e da cobrança) e muitas outras coisas que nos fazem bem.

Links para o estudo citado:

https://www.youtube.com/watch?v=4mukTQTUitk

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/01/politica/1551460732_315309.html

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Ser e ter – rumo à sociedade do bem-estar

Há muitas coisas que podemos apreciar sem desejar possuir, como essa peça que fotografei no Museu do Design em Helsinque.

Há muitas coisas que podemos apreciar sem desejar possuir, como essa peça que fotografei no Museu do Design em Helsinque.

“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes”? A criança africana deixou o antropólogo desconcertado ao constatar como essa comunidade vive a prática do Ubuntu, uma filosofia humanista sul-africana, um código de ética baseado no altruísmo, na generosidade e na cooperação. Bem diferente das sociedades nas quais predominam o individualismo e a competição, em que muitos pensam “quanto mais eu tenho, mais eu sou”. Ubuntu significa “eu sou porque nós somos”.

A série de pesquisas Responsabilidade Social Empresarial promovidas pelo Instituto Akatu e parceiros aborda a questão da transição da cultura do consumismo para a cultura do bem-estar. Isso demanda uma revisão profunda do atual modelo de desenvolvimento econômico pautado no crescimento contínuo do consumo mesmo às custas da enorme desigualdade de distribuição de renda e do desequilíbrio ecológico que estamos presenciando. Não é sustentável propor um crescimento econômico ilimitado em um planeta com recursos finitos. A proposta é privilegiar a qualidade dos relacionamentos e o bem-estar, em vez de estimular o acúmulo consumista.

Fortalecer a prática de conceitos tais como consumo consciente e o estilo de vida da simplicidade voluntária pode contribuir para sair da prisão angustiante do “preciso trabalhar mais para ganhar mais e consumir mais”. Deixar de definir “bom padrão de vida” como sinônimo de acúmulo de bens materiais que dão “status” social para almejar um estilo de vida em que se acredita que ter tempo (para nutrir vínculos significativos) é melhor do que ter dinheiro para gastar com coisas das quais, na verdade, não precisamos.

Em muitas cidades, o aumento do uso de bicicletas e carros compartilhados marca a ideia de que podemos usufruir de objetos que facilitam a mobilidade sem precisar possui-los. Jovens que promovem “sessões de desapego” e trocam entre si roupas e acessórios criam recursos para escapar das tentações das compras induzidas pela publicidade.

As armadilhas da publicidade que criam necessidades que não existiam e aguçam o desejo de posse atingem cruelmente as crianças, ainda incapazes de diferenciar o “eu quero” do “eu preciso”. O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, faz um importante trabalho de conscientização sobre as consequências do consumismo e da publicidade na formação das crianças.

http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/

http://www.akatu.org.br/pesquisa/2012/PESQUISAAKATU.pdf

http://criancaeconsumo.org.br/consumismo-infantil/