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TEDxRio Educação: nos bastidores e no palco

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A emoção de participar como palestrante da TEDxRIO EDUCAÇÃO em dezembro de 2018.

Com cerca de 1300 palestras no currículo para públicos de trinta até cinco mil pessoas, tive uma experiência única ao ser palestrante no TEDxRio EDUCAÇÃO. E tendo assistido a inúmeras palestras TED, nunca tinha tido a oportunidade de acompanhar um evento ao vivo. É impactante!

Há tempos, li o livro TED Talks – o guia oficial do TED para falar em público, de Chris Anderson. Aproveitei muitas dicas para aprimorar minhas palestras. Mas o trabalho de preparação de palestrantes, desde sugestões para o texto até a postura no palco, é sensacional! Foram vários encontros com Marco Brandão, Danielle Fazzi e Joice Niskier para construir uma palestra cativante em 15 minutos, dentro dos padrões propostos. E duas semanas de muitos ensaios para memorizar o texto para que saísse do modo mais natural possível.

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A equipe responsável pelo evento.

No dia do evento, chegamos mais cedo para nos familiarizarmos com o palco, vendo o tapete vermelho do qual não poderíamos sair por conta da iluminação e das câmeras, olhando o monitor com o que estava projetado na tela e o temível cronômetro marcando o tempo restante.

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O palco da TEDxRio EDUCAÇÃO com o tapete vermelho e o cronômetro.

O encadeamento dos temas apresentados pelos 14 palestrantes, entremeados com três apresentações musicais compuseram um espetáculo inesquecível! O que anotei de algumas palestras:

  • O que importa é saber o que importa (Aziz Camali, “Empreendedorismo em um futuro disruptivo”)
  • Escola é escolha. Para educar é preciso educar-se. É na Educação Infantil que começamos a construir pessoas para serem solidárias, ativas, respeitadoras, competentes. (Márcia Righetti , “Protagonismo na criança”).
  • Nosso estilo predatório está crescendo em progressão geométrica. As grandes cidades não foram construídas respeitando os limites da natureza. O meio ambiente é o nosso ambiente (Nina Braga, “O meio ambiente é o meu ambiente”?).
  • A inteligência artificial já está mais presente no dia a dia do que imaginamos. O smartphone tem um poder computacional dez vezes superior à máquina que levou o homem à Lua. Daqui a 20 anos muitas crianças de hoje trabalharão em profissões que ainda não existem. E ensinarão às máquinas – terão ética e responsabilidade para ensinar coisas boas? (Roberto Celestino, “ AI- quebrando o tabu”).
  • Não gostar de estudar é diferente de não gostar de aprender. Nem sempre gostar de aprender é despertado pelo ensino formal. (Marcília Neves – “Cultivando nossos frutos”).
  • Crianças gravemente afetadas pela violência na família e em comunidades apresentam grandes dificuldades de aprendizagem e precisam de uma metodologia especial para refazer circuitos neuronais, como a Pedagogia Uerê-Mello. (Yvonne Bezerra de Mello, “Aprendendo a aprender”).
  • O Brasil está abaixo da maioria dos países em conhecimento básico. E estamos no início da Quarta Revolução Industrial, com profundas mudanças na maneira de trabalhar e de viver. Nossa diversidade é a nossa maior força, mas é preciso investir em qualidade e na construção de uma sociedade justa e inclusiva. (Ricardo Henriques, “A educação como motor de transformação social”).
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O que podemos reaprender cuidando de crianças pequenas?

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Ao contrário do que se pensava há algumas décadas, nosso cérebro neuroplástico continua gerando novos neurônios e diferentes conexões entre eles durante toda a nossa vida. Isso nos permite efetuar mudanças em nós mesmos e em nossas redes de relacionamento, aprender, desaprender e reaprender continuamente.

Nos primeiros anos de vida, as experiências que se sucedem desde a vida intrauterina e a qualidade dos vínculos que se estabelecem entre a criancinha e as pessoas que cuidam dela interagem com a carga genética e constroem a arquitetura cerebral. Este processo de fazer e refazer as conexões neurais acontece no decorrer da vida, mas os alicerces de nossa saúde física e emocional são, em grande parte, construídos durante a gestação e os primeiros anos de vida.

Quem cuida de bebês e de crianças pequenas na família, na creche e na Educação Infantil participa da “tecelagem” desses novos seres, contribuindo para o seu desenvolvimento integral. Os adultos que investem em seu desenvolvimento pessoal encontram inúmeras oportunidades de reaprender coisas significativas cuidando das criancinhas e observando sua rápida evolução nos primeiros anos de vida.

Bebês e crianças pequenas demonstram curiosidade para explorar o mundo, se encantam com as novas descobertas e manifestam grande entusiasmo quando conquistam cada etapa de uma nova habilidade (sentar-se, dar os primeiros passos, empilhar peças de madeira ou de plástico para montar uma torre). Os adultos que se sentem entediados, insatisfeitos ou dizem que “não se interessam por nada” soterraram a curiosidade e o encantamento que um dia tiveram.

Nos primeiros anos de vida, há um vívido interesse pela aprendizagem. Embora a criança sinta medo e raiva desde os primeiros meses diante do que é desconhecido e do que frustra seus desejos, predomina o entusiasmo de explorar novos territórios e de criar competências. As criancinhas tentam acertar mesmo quando os erros se sucedem. Interiorizam a exigência de “fazer tudo certo” e o medo de errar a partir de mensagens veiculadas por pessoas da família e da escola, que criticam e punem os erros, em vez de considerá-los como parte integrante do processo de aprendizagem. Os erros podem motivar, em vez de desencorajar, novas tentativas e estratégias. Adultos paralisados pelo medo de errar podem reaprender com a criancinha a ousadia de continuar experimentando novos caminhos com a persistência necessária para alcançar o resultado desejado.

A alegria de crescer e de perceber o desenvolvimento de novas habilidades é marcante nos primeiros anos de vida das crianças saudáveis. Adolescentes desmotivados para construir seus caminhos de autonomia e adultos acomodados na “zona de conforto” precisam reativar essa energia da primeira infância, quando viviam intensamente seu processo de crescimento.

As criancinhas se entusiasmam quando percebem pequenos progressos, não pensam no tanto que ainda falta para “chegar lá”. Quando crescem, muitas se desencorajam quando pensam apenas que falta muito para tocar bem um instrumento, falar com fluência outros idiomas ou ser selecionado em um concurso com milhares de candidatos. Precisam reaprender o valor da persistência e da capacidade de se alegrar com cada pequeno passo conquistado, valorizando o processo, e não apenas o objetivo final.

Curiosidade, encantamento pelas descobertas, ousadia para experimentar novas possibilidades, alegria de crescer. Os adultos podem reaprender tudo isso e muito mais quando cuidam de bebês e de crianças pequenas!

 

Como viver em um mundo conturbado?

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A série de palestras TED sobre o impacto das mudanças climáticas extremas mostra, por um lado, evidências assustadoras do ritmo veloz do derretimento das geleiras, a intensidade de furacões, enchentes e secas que afetam todo o planeta e suas consequências. Por outro lado, a mensagem otimista de palestrantes como Al Gore, Vicki Arroyo e James Balog revela que há condições de mitigar os efeitos dessas mudanças adversas, desde que tenhamos, coletivamente, o senso de urgência para fazer o que precisa ser feito, inclusive para pressionar a adoção de políticas públicas eficazes.

Alguns caminhos de ação indispensáveis: mudar hábitos de consumo; não desperdiçar recursos naturais finitos e cada vez mais escassos; fortalecer a resiliência pessoal, familiar e comunitária para enfrentar múltiplas adversidades, como o crescente fluxo migratório em decorrência dos desastres climáticos ou das guerras. A seção sobre os riscos globais do Relatório do Fórum Econômico Mundial de 2014 destaca as crises econômicas, a imensa desigualdade de renda, a escassez de água e de alimentos, o alto índice de desemprego e de subemprego entre jovens adultos como ameaças significativas à estabilidade social.

Esse mesmo Relatório, em 2013, apontou para a necessidade de fortalecer a resiliência global e a capacidade de adaptação para viver no atual estado do mundo. Sabemos, pela neurociência, que a arquitetura cerebral é esculpida, em grande parte, pela qualidade dos relacionamentos, e que a resiliência pode ser desenvolvida a partir dos primeiros anos de vida. Por isso, é essencial que as políticas públicas dediquem especial atenção às famílias no decorrer da gestação e da primeira infância. A parceria família-escola na Educação Infantil precisa ser bem estruturada para construir alicerces sólidos que favoreçam o bom desenvolvimento das novas gerações. Estas precisarão contribuir para viabilizar as enormes mudanças que se fazem necessárias, com ideias inovadoras, criatividade e visão sistêmica.

Link para as palestras TED:

http://www.ted.com/playlists/78/climate_change_oh_it_s_real?utm_content=awesm-publisher&utm_campaign=&utm_source=direct-on.ted.com&utm_medium=on.ted.com-twitter&awesm=on.ted.com_sm4M

 

Link para a síntese do Relatório do FEM 2014:

http://www.pewresearch.org/fact-tank/2014/01/23/world-economic-forum-survey-identifies-top-10-global-risks-for-2014/