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Desalento e esperança

 

 

201706-Maringá (MG) 016

Mesmo passando por dificuldades e com problemas para enfrentar, vale apreciar a beleza brotando. (Fotografei em Maringá, RJ).

Ai Weiwei filmou Human Flow mostrando o drama de milhões de refugiados

Diz que “não existe lar se não há para onde ir”.

Mas nesse filme há imagens de um grupo unido em prece, na fé que alimenta a esperança

Que nasce do desespero e leva a uma busca de acolhimento em algum lugar do mundo

Deportações e desamor, mas também solidariedade e compaixão dos que atuam nas agências humanitárias.

Ameaças de guerra nuclear pairando no ar.

Mudanças climáticas – ainda há tempo de reverter o prognóstico ruim?

Novas tecnologias surgindo – para o bem ou para o mal

Redes de ódio proliferando na internet, acentuando intolerância

Rompendo vínculos de família e de amizades com os que pensam diferente

Mas na rede também compartilhamos conhecimentos, boas ideias e boas práticas

Criamos redes de solidariedade que melhoram as condições de vida de muitos

Para que lado vamos dirigir nosso olhar e nossas ações?

Sem negar problemas e dificuldades mas valorizando também

Os grandes pequenos momentos em que há encontro amoroso de olhares

Gestos de delicadeza, abraços fraternos, amor dedicado, cooperação.

A harmonia do voo dos pássaros, a vida renovada nas folhas das árvores, a flor que se abre, a fruta madura

O que nos diz tudo isso, que também faz parte do mundo?

Que tipo de contribuição estamos oferecendo?

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Atacar os problemas sem atacar as pessoas

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– A que você associa a palavra “conflito”?

Costumo abrir as Oficinas sobre Estratégias na Solução de Conflitos com essa pergunta. A grande maioria dos participantes associa conflito a problema, desentendimento, briga, disputa, bate-boca, desgaste emocional. Poucos consideram o conflito como oportunidade, e até mesmo como evolução do relacionamento.

As divergências de opiniões, necessidades, visões do mundo e contextos culturais formam as raízes de conflitos e geram conversas difíceis nas relações familiares, sociais e profissionais. O recurso mais importante para a resolução de conflitos é a escuta atenta e respeitosa do ponto de vista do outro e a habilidade de expressar com clareza nosso próprio ponto de vista. Com isso, torna-se possível captar o que os outros sentem, tratando de descobrir os pontos em comum, mesmo quando há profundas divergências. É nesse terreno que poderemos construir “acordos de bom convívio”.

Para isso, é preciso acreditar que não há uma verdade absoluta. Melhor do que ganhar a discussão é ver o que podemos ganhar com ela, criando uma terceira história que não é exatamente a nossa nem a do outro, mas a que conseguimos elaborar a partir do entendimento recíproco.

No caleidoscópio, com as mesmas peças, vemos imagens diferentes sempre que o giramos de um lado para o outro. Não há imagens certas nem erradas, apenas diferentes. Assim acontece com as diversas visões do mesmo fato ou da mesma situação.

Podemos contar com um poderoso instrumento de transformação: a flexibilidade de nos examinarmos para descobrir como contribuímos para o problema e o que podemos fazer para solucioná-lo. Quando deixamos de colocar a culpa nos outros e paramos de reclamar por não ganhar o que queremos, conseguiremos transformar conversas difíceis em diálogos eficazes.

Essa flexibilidade não significa abrir mão de nossos valores e de crenças fundamentais. Podemos dizer “Não” com habilidade, abrindo a porta para dizer “Sim” à preservação do relacionamento, respeitando as diferenças e buscando soluções que não haviam sido pensadas anteriormente, em clima de colaboração. Os adversários passam a ser “sócios” do problema: aprendemos a atacar o problema sem atacar as pessoas. Todos ganham com isso.