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Internet: Riscos e oportunidades

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Fotografei este ângulo do Museu do Amanhã (RJ) onde houve uma ótima troca de ideias sobre o uso da tecnologia.

Falei sobre cyberbullying no III Encontro Internacional sobre o Uso de Tecnologias no dia 21/11 no Museu do Amanhã e assisti a apresentação de outros palestrantes. Uma síntese das ideias que mais apreciei:

  • É grande a sedução do espaço virtual. O que vem por aí? Os algoritmos já definem muita coisa para as pessoas. Como ficarão os direitos humanos na era da robótica? Com a rápida evolução da tecnologia todos nós precisamos aprender a usufruir dos benefícios e a se proteger dos riscos. O consumismo está muito enraizado em crianças e adolescentes, assim como o imediatismo, o individualismo e o relativismo (“tudo é verdade”) – Solange Barros (SP).
  • Há 20 anos os computadores foram colocados em escolas públicas, mas não houve orientação adequada sobre ética e uso saudável da tecnologia. As políticas públicas de inclusão digital não foram acompanhadas pela devida formação reflexiva e crítica. O uso excessivo da tecnologia promove dificuldade de concentração em sala de aula e desmotivação pela escola – Cineiva Tono (PR).
  • A violência está onipresente na rede, gerando insensibilidade. A realidade virtual e a aumentada fazem parte de nossa vida, gerando uma percepção mista das diferentes realidades nas crianças de hoje que vivenciam uma imersão completa nesse universo. Comparar-se com os colegas com mais curtidas e seguidores faz com que muitos se sintam inferiorizados. Como é construir a autoestima de acordo com esses critérios? – Cajetan Luna (Los Angeles).
  • O CETIC desenvolve pesquisas sobre o uso da internet por pessoas entre 09 e 17 anos, para ver como lidam com riscos e oportunidades. Pelos dados de 2016, 82% das pessoas nessa faixa etária são usuários. A questão é como transformar riscos em oportunidades no uso da internet pelo trabalho de mediação ativa (encorajar a pesquisa livre na internet e desenvolver habilidades para lidar com os riscos) – Maria Eugênia Sozio (SP).
  • A Safernet defende os direitos humanos e a liberdade na internet há 11 anos, incentivando a busca do equilíbrio entre liberdade e proteção. Liberdade com conhecimento aumenta a capacidade de fazer boas escolhas. Essa ONG também oferece orientação psicológica mediada pela tecnologia, além de material impresso para promover o letramento digital para ser um cidadão em um mundo cada vez mais digital – Rodrigo Nejm (BA).
  • O foco do Instituto Dimicuida é informar sobre brincadeiras perigosas, como o desafio do desmaio, que resultam em lesões pela falta de oxigenação do cérebro ou em morte por asfixia. Sempre surgem novos desafios, com vídeos que mostram o passo a passo, e os adolescentes não percebem o que pode acontecer. É preciso ficar alerta aos sinais: olhos vermelhos, dores de cabeça, desorientação, uso de roupas que cobrem as marcas do pescoço – Demétrio Jereissati (CE).

A rápida evolução da tecnologia, juntamente com outros fatores de mudança acelerada, torna o futuro imprevisível.

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Os celulares dos filhos angustiam os pais

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Na “selva” das rápidas mudanças, é um desafio construir pontes entre as diversas gerações (Fotografei na Costa Rica)

 

Soraia se inquieta sempre que vê os filhos, de nove e onze anos, às gargalhadas, compartilhando fones de ouvido e vendo vídeos que contam com milhões de acessos e curtidas. “Fico horrorizada com a quantidade de besteiras, palavrões, letras de música que depreciam as mulheres, erros grosseiros de português. Não acho graça nenhuma, mas é isso que a garotada está vendo e gosta” – desabafa, preocupada.

É possível instalar filtros nos computadores da casa para bloquear conteúdos impróprios, há como coibir o uso de redes sociais antes da faixa etária recomendada, mas não dá para controlar totalmente o acesso aos infindáveis conteúdos disponíveis nos canais de vídeos e nem saber o que os amigos dos filhos estão compartilhando a partir dos respectivos celulares.

Só mesmo a conversa em família poderá estimular as crianças a selecionar o que será visto, refinar o espírito crítico e aguçar a percepção de mensagens de discriminação e preconceito. Para transformar conversas difíceis em diálogos eficazes é preciso olho no olho, liberdade para expressar argumentos contrários e a favor, escuta respeitosa dos diferentes pontos de vista. Trilhando esses caminhos, será possível chegar a consensos importantes.

Também é preciso considerar que muitas crianças e adolescentes desenvolvem precocemente habilidades para produzir conteúdo e logo aprendem a encontrar canais eficientes de divulgação. Com isso, contam com milhares de seguidores e alguns passam a ser patrocinados por empresas em busca de incrementar as vendas de seus produtos. Isso também preocupa Soraia: “Meu filho mais novo argumenta: “Mãe, esse cara aqui tem 18 anos e ficou rico fazendo esse tipo de vídeos que você diz que é besteira! Ele nem precisa mais estudar”! É difícil convencer as crianças de que esse “sucesso instantâneo” quase sempre resulta em um ocaso rápido. Os fãs da “celebridade”, que lotam imensos auditórios e fazem filas quilométricas para conseguir um autógrafo, em pouco tempo elegem outro ídolo, cuja fama será igualmente efêmera.

Celulares e computadores são poderosos: mudaram nossa maneira de viver, de aprender e de nos comunicarmos uns com os outros. Quando usados em excesso, criam a ilusão de estarmos conectados quando, na verdade, estamos solitários na multidão de contatos.

Decidir, em família, como aproveitar os benefícios da tecnologia e como evitar os riscos do uso excessivo ou inadequado é um dos grandes desafios da contemporaneidade.