Arquivo mensal: dezembro 2015

Entendimento global

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Seres diferentes convivendo no mesmo espaço. (Fotografei na Barreira de Coral, Austrália).

A UNESCO e sua rede de escolas associadas (PEA-UNESCO) elegeram 2016 o Ano Internacional do Entendimento Global. É um convite para “refletir a partir de uma perspectiva mundial e intervir no plano local”, com foco na sustentabilidade do planeta. Isso inclui, entre outras coisas, a revisão e a mudança de hábitos nocivos para o meio ambiente, a responsabilidade individual e coletiva das ações cotidianas, assim como a colaboração de profissionais de várias áreas para criar melhores práticas para garantir o desenvolvimento sustentável, para que todos possam viver melhor em um mundo cada vez mais globalizado.

No final de 2015, a Conferência do Clima, em Paris (COP 21), chegou a um acordo entre 195 países para assumir compromissos de redução expressiva de emissões de gases do efeito estufa para que o aumento da temperatura média do planeta não ultrapasse 1,5°C. Embora seja a primeira vez que se alcança um entendimento global sobre a necessidade de mitigar os efeitos das mudanças climáticas, muitos criticaram a indefinição de metas mais concretas para que a necessária redução seja alcançada.

O Papa Francisco, na Encíclica Laudato Sí (2015) nos exorta a falar a língua da fraternidade e a desenvolver a percepção de nossa conexão com tudo o que existe para unir a família humana na busca do desenvolvimento sustentável e integral, colaborando na construção da nossa casa comum e evitando o perigo da globalização da indiferença. Há uma profunda crise socioambiental, a exigir uma abordagem integrada que, simultaneamente, combata a pobreza e cuide da natureza.

O que predominará? A visão de curto prazo devido à ganância para manter os lucros garantidos pelo petróleo e outras fontes poluentes? A forte resistência para mudar os fundamentos econômicos e ousar fazer mudanças radicais no conceito de “desenvolvimento e progresso” para mudar substancialmente o estilo de vida? A imensa sede de poder e dominação que obstrui a visão de que é necessário cuidar melhor da família humana e da casa planetária? Ou a gradual compreensão de que precisamos mudar a maneira de lidar com o dinheiro? A consciência de que estamos todos no mesmo barco e precisamos cuidar melhor de tudo e todos? A percepção mais aguçada da delicada e complexa teia da vida, que inclui todos os ecossistemas e a biodiversidade?

A esperança maior está na expansão do protagonismo juvenil. Jovens líderes globais, ousados e empreendedores, apresentam propostas para governos, empresas e outras organizações para que busquem soluções inovadoras para problemas globais, no sentido de construir sociedades onde seja possível viver com paz e prosperidade. Em nosso mundo interdependente, é missão de todos nós colaborar para educar as novas gerações que estão chegando ao planeta para desenvolver as competências necessárias para alcançar a meta do entendimento global.

http://www.global-understanding.info/pt/

https://laudatosi.com/watch

http://www.engajamundo.org/o-engajamundo/

http://www.weforum.org/community/forum-young-global-leaders

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Nas trilhas da “segunda idade adulta”

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Adoro contemplar a natureza caminhando por belas trilhas, como essa que fotografei na Suíça.

Estou na adolescência da minha “segunda idade adulta” (usado por alguns autores para falar sobre a vida após os 50). Boa época para fazer novos projetos de vida, ampliar ou remodelar os já existentes. É também o momento de integrar muitas coisas que aprendemos e habilidades que desenvolvemos no decorrer das décadas.

Cada vez mais, integro conhecimentos adquiridos nas trilhas da minha vida. Como gosto de fotografar lugares que me impactaram pela beleza, decidi ilustrar as apresentações de minhas palestras (e os textos do meu blog) com algumas dessas fotos. Descobri o prazer de fazer cursos de teatro motivada pela necessidade de melhorar meu desempenho como palestrante. Alguns anos de aulas de dança de salão, buscadas por prazer, tornaram-se úteis para aguçar a consciência corporal ao falar para centenas ou até mesmo milhares de pessoas.

Um diferencial significativo surgiu quando incorporei, nas palestras, minhas composições que sintetizam as ideias que apresento. Com um detalhe: estudo piano há décadas, mas comecei a estudar percussão e técnica vocal após os 60, com muito entusiasmo! Isso me permitiu elaborar as palestras-show. Inaugurei essa nova fase com Teias e, em seguida, surgiu Nas trilhas da vida, que também é um livro-show (outra novidade), feito em parceria com Itiberê Zwarg como arranjador e diretor musical.

Caminhar pelas trilhas da segunda idade adulta tem sido empolgante! Após os 50, continuei viajando pelo mundo, caminhando por trilhas que me levam a lugares belíssimos e cachoeiras incríveis, fiz um curso de mergulho, expandi meus estudos de música e descobri o amor da maturidade.

Procuro cuidar bem da minha saúde, para manter disposição e alegria de viver. Cultivo bons amigos há décadas, curto os cuidados recíprocos do amor com filhos adultos e com meu companheiro. Consegui manter a curiosidade da criancinha que me habita e acredito que, em qualquer idade, podemos ousar aprender e fazer coisas novas, construir novos projetos de vida, concretizar sonhos antigos e ampliar as redes de relacionamentos.

Nem tudo são flores. Sempre surgem obstáculos a serem superados. Mas acredito que os problemas são oportunidades de criar recursos para viver melhor. Nas trilhas da minha vida encontrei muitas dificuldades, senti decepção com algumas pessoas, fiz projetos que não deram certo, encontrei minhas fragilidades, vivi amores e desamores. Mas, como escritora, conto com um ótimo recurso: algumas pessoas com quem vivi momentos de intenso sofrimento se transformaram em personagens de alguns livros que escrevi!