Arquivo mensal: setembro 2015

Afrodisíaco

Superando o medo de sofrer, floresce a capacidade de amar. (Fotografei no orquidário do Jardim Botânico, RJ).

Superando o medo de sofrer, floresce a capacidade de amar. (Fotografei no orquidário do Jardim Botânico, RJ).

O melhor afrodisíaco é abrir o coração

Enfrentar o medo de “não dar certo”, os fantasmas do abandono, o terror da rejeição

Aprender com as dores das perdas de amores passados

Mergulhar na singularidade da nova relação

Superando a visão estreita de que “todo mundo é igual, só muda de endereço”

Saindo da couraça da mágoa e do ressentimento que nos endurece e intoxica

Criando coragem para ver como contribuímos para os problemas passados

Acreditando que a capacidade de amar pertence a nós

Quando o ciclo de um amor se fecha, podemos nos abrir para outra construção

Sem nos perdermos em encontros desencontrados

De sexo vazio de afeto, que empobrece o prazer

Descobrindo novos recursos para nutrir o amor com carinho e bons cuidados

Mesclando tesão com ternura

Explorando requintes de sensualidade e erotismo

Aprofundando a confiança que permite a entrega

Libertando a criatividade em pequenos grandes momentos

Que torna cada dia de amor único e especial.

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“Minha amiga me decepcionou”!

Nos relacionamentos, nem tudo são flores. A decepção e a frustração surgem quando criamos expectativas altas demais (Fotografei em Araxá, MG).

Nos relacionamentos, nem tudo são flores. A decepção e a frustração surgem quando criamos expectativas altas demais (Fotografei em Araxá, MG).

Todos nós temos aspectos luminosos e sombrios, possibilidades e limites em cada relacionamento. A decepção pode surgir a partir de uma traição (“Minha melhor amiga seduziu meu namorado”!), da quebra de confiança (“Contei um segredo muito íntimo e ela espalhou para toda a turma, morri de vergonha e de raiva daquela fofoqueira”!), da mudança de papéis (“Meu amigo passou a ser meu chefe e se mostrou grosseiro como eu nunca o tinha visto”) ou da quebra de expectativa (“Quando eu fiquei na pior e precisava de apoio, ela simplesmente desapareceu”).

Porém, a decepção também surge a partir de expectativas irreais que criamos e que a pessoa não tem condições de preencher. Nem sempre seremos acolhidos, ouvidos e compreendidos como gostaríamos. Nem sempre os outros (amigos, companheiros, pessoas da família) estão disponíveis quando precisamos expor problemas e desabafar mágoas. E, então, quando nossas expectativas não são preenchidas, nos decepcionamos. Principalmente quando só prestamos atenção ao que não recebemos e nem percebemos o que está sendo oferecido dentro dos limites e possibilidades de cada um.

Outra fonte de decepção é esperar que os outros façam por nós o que fazemos por eles. Pessoas muito solícitas, sempre prontas para alterar suas prioridades e atender às demandas de quem precisa de carinho e atenção nem sempre receberão o mesmo quando estiverem em situações difíceis.

No terreno amoroso, a paixão altera nossa percepção. As qualidades da pessoa amada são realçadas (ou só existem em nossa imaginação) e as dificuldades são minimizadas ou nem sequer percebidas. É terreno fértil para criar expectativas que não poderão ser preenchidas e resultarão em decepção e frustração, quando a realidade do convívio superar a ilusão (“Meus amigos tentaram me alertar, mas eu estava cego de paixão”). Carências derivadas de relacionamentos anteriores também contribuem para criar altas expectativas (“Eu esperava que ele fosse marido, pai, irmão, amigo, enfim, tudo para mim”) que nenhum ser humano poderá satisfazer.

Ser e ter – rumo à sociedade do bem-estar

Há muitas coisas que podemos apreciar sem desejar possuir, como essa peça que fotografei no Museu do Design em Helsinque.

Há muitas coisas que podemos apreciar sem desejar possuir, como essa peça que fotografei no Museu do Design em Helsinque.

“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes”? A criança africana deixou o antropólogo desconcertado ao constatar como essa comunidade vive a prática do Ubuntu, uma filosofia humanista sul-africana, um código de ética baseado no altruísmo, na generosidade e na cooperação. Bem diferente das sociedades nas quais predominam o individualismo e a competição, em que muitos pensam “quanto mais eu tenho, mais eu sou”. Ubuntu significa “eu sou porque nós somos”.

A série de pesquisas Responsabilidade Social Empresarial promovidas pelo Instituto Akatu e parceiros aborda a questão da transição da cultura do consumismo para a cultura do bem-estar. Isso demanda uma revisão profunda do atual modelo de desenvolvimento econômico pautado no crescimento contínuo do consumo mesmo às custas da enorme desigualdade de distribuição de renda e do desequilíbrio ecológico que estamos presenciando. Não é sustentável propor um crescimento econômico ilimitado em um planeta com recursos finitos. A proposta é privilegiar a qualidade dos relacionamentos e o bem-estar, em vez de estimular o acúmulo consumista.

Fortalecer a prática de conceitos tais como consumo consciente e o estilo de vida da simplicidade voluntária pode contribuir para sair da prisão angustiante do “preciso trabalhar mais para ganhar mais e consumir mais”. Deixar de definir “bom padrão de vida” como sinônimo de acúmulo de bens materiais que dão “status” social para almejar um estilo de vida em que se acredita que ter tempo (para nutrir vínculos significativos) é melhor do que ter dinheiro para gastar com coisas das quais, na verdade, não precisamos.

Em muitas cidades, o aumento do uso de bicicletas e carros compartilhados marca a ideia de que podemos usufruir de objetos que facilitam a mobilidade sem precisar possui-los. Jovens que promovem “sessões de desapego” e trocam entre si roupas e acessórios criam recursos para escapar das tentações das compras induzidas pela publicidade.

As armadilhas da publicidade que criam necessidades que não existiam e aguçam o desejo de posse atingem cruelmente as crianças, ainda incapazes de diferenciar o “eu quero” do “eu preciso”. O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, faz um importante trabalho de conscientização sobre as consequências do consumismo e da publicidade na formação das crianças.

http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/

http://www.akatu.org.br/pesquisa/2012/PESQUISAAKATU.pdf

http://criancaeconsumo.org.br/consumismo-infantil/

Conquistando a liberdade

O medo da mudança e os preconceitos internalizados atrapalham a conquista da liberdade.

O medo da mudança e os preconceitos internalizados atrapalham a conquista da liberdade.

Liberdade não é fazer tudo o que a gente quer e bem entende. Isso é ser prisioneiro dos próprios desejos.

Conquistar a liberdade é saber que caminhamos entre escolhas e renúncias. Avaliar riscos e consequências das nossas escolhas. Pensar alternativas quando não acontece o que gostaríamos. Cultivar a paciência e a persistência para não esmorecer diante dos obstáculos que se apresentam para concretizar nossos sonhos e alcançar nossas metas.

Quando a criancinha supera a dificuldade de dar os primeiros passos sem apoio, vive a alegria de ser livre para se locomover por conta própria. Mas também encontra limites e barreiras que a impedem de explorar todo o território.

O adolescente que, revoltado, diz “Não tenho que dar satisfações a ninguém” não entende a diferença entre “dar satisfações” e “dar notícias” para os que ainda precisam cuidar dele, na medida em que está em curso o processo de aprender a cuidar bem de si mesmo para exercer liberdade com responsabilidade.

Uma jovem de 18 anos me confidenciou que se sentia constrangida por ainda ser virgem. Todas as amigas já transavam, e ela sentia que ainda não havia chegado o momento. A liberdade de escolha, inclusive para esperar construir um relacionamento amoroso significativo, entra em conflito com um padrão de “liberdade sexual” que nem sempre é tão livre assim, principalmente quando vem acompanhada pela repressão do afeto ou pela pressão de “seguir o grupo”.

Uma mulher de 67 anos revela que passou décadas muito ocupada com o trabalho e a família, sonhando em ter tempo livre para se dedicar aos seus interesses particulares. Aposentada, viúva e com filhos adultos, sente-se perdida sem saber o que fazer com tanta liberdade.

Muitas vezes, colocamos barreiras internas que limitam nossa liberdade: o medo da crítica e da rejeição, preconceitos que internalizamos sem perceber (“ele é um cara legal, mas não consigo namorar um homem mais baixo do que eu”…), medo de sair da “zona de conforto” para ousar escolher outros rumos.

É muito bom conquistar a liberdade para viver de acordo com nossa verdadeira essência. Algumas dessas escolhas nos afastarão dos caminhos convencionais. Talvez falte coragem para tanta ousadia. E nem sempre percebemos claramente que estamos cortando nossas próprias asas, limitando a liberdade de voar.